10 de set. de 2014

Manual do Orientista - Dica nr 60

Dica no 60: O planejamento a longo prazo.

O atleta de elite bem sucedido deve tomar uma decisão mental com antecedência de 1 a 4 anos antes do evento. Para chegar ao máximo em um campeonato começa quando você decide concentrar-se nesse evento. Decidimos qual a prioridade para a próxima temporada, mas também podemos planejar mais adiante, quais serão as metas a longo prazo, na sequência das temporadas.

Uma decisão precoce é importante para que você possa fazer um plano estratégico que conduz ao evento. Portanto, o evento selecionado dirige o conteúdo do treinamento. As coisas que são relevantes para o evento, fisicamente, mentalmente, tecnicamente e taticamente, ditam o tipo de treinamento a fazer ao longo de cada temporada. 

Muito antes da competição: É ali que defino as bases da minha estratégia. Eu decido que isto é realmente o que eu quero fazer. Eu posso mudar meus objetivos de algo verbal e externo a um profundo desejo em meu coração. Eu tento criar uma visão global que define todas as peças do quebra-cabeças no lugar. O trabalho, escola, família, amigos, o clube, o treinador e os dirigentes vão contribuir em a minha luta para alcançar meu objetivo. Tenho a aceitação dos que me rodeiam e posso me concentrar no próximo campeonato. A partir de agora a minha estratégia é interna e minha motivação vem de dentro de mim. 

A vontade de vencer não é tão importante quanto o desejo de se preparar para querer ganhar. A preparação para o campeonato começa agora, por exemplo, com a coleta de informações sobre coisas como terreno, exigências técnicas e físicas, mapeador, traçador de percursos e outros fatos importantes. Eu faço uma lista de tudo o que é novo ou que pode afetar a minha capacidade de executar. Buscando coisas e ideias que eu possa introduzir no meu treino diário como modelo de treinamento. 

Grande parte da minha preparação envolve me informar sobre o que está vindo, e aceitar isso como um fator positivo em minha preparação para alcançar o resultado pretendido. Quando me der conta e aceitar o que eu tenho que fazer para conseguir meus objetivos, eu só preciso desenvolver ou mudar meu treinamento para que ele reflita isso. É nesta fase que eu construo a minha estratégia e tento criar pensamentos e imagens que influenciam a minha capacidade de realizar, através da crença no caminho que escolhi para alcançar meus objetivos. 

Vou participar de campos de treinamento e competições na mesma região para que eu possa conhecer o ambiente de competição e tipo de hospedagem. Isso me dá experiências, imagens e sentimentos que fortalecem o meu objetivo, e o torna mais vivo. Também é importante para competir em condições onde eu possa testar minha capacidade total. Estas competições, chamadas de competições modelo, são um campo de testes em que me preparo para a competição, onde executo, avalio e melhoro os diferentes ingredientes essenciais na minha formação. 

Um componente chave deve ser o treinamento tipo competição realizado em campo de treinamento, que pode ser nacional ou no exterior, de acordo com meu objetivo. O que você pode esperar encontrar durante a competição também deve ser experimentado em treinamento. Portanto, o treinamento-competição deve ser uma parte regular e importante do plano de treinamento. 

Quando falamos em treinamento tipo competição é importante lembrar que tanto os aspectos físicos e mentais estão incluídos na ideia. Em resumo, podemos dizer que cada sessão de treinamento é importante para a competição que está chegando. Quando a competição está próxima, o treinamento tipo competição deve ser incluído na preparação de atletas de elite. 

Antes da competição: é agora que eu me afasto de um treinamento de base e começo a me preparar para o processo de pico das últimas semanas. Esta parte do meu treinamento contém mais treinamentos específicos relacionados com o desporto. As partes técnica e física de minha performance devem tornar-se internas e automáticas aqui. Então eu posso trabalhar mais com preparação mental, pensando em situações que eu poderia enfrentar na competição. Essas podem ser o clima extremamente quente, chuva muito pesada, enfrentar o favorito da prova numa qualificação, um percurso ruim, ou uma posição inicial desfavorável. Eu penso em cada distração que eu poderia enfrentar e mentalmente transformo cada uma em algo positivo. Eu também tenho necessidade de pensar sobre aspectos sociais nesta fase, por exemplo, horários flexíveis de trabalho, dispensa do trabalho ou estudos, apoio de minha família ou clube. 

Pouco antes da competição: a competição está perto e minha preparação torna-se mais concentrada. Meu estilo de vida é organizado com muito cuidado. Treinamento e minha atitude para ter um bom desempenho têm alta prioridade agora. Sessões de treinamento, alimentação, descanso e sono de qualidade são fatores importantes para ficar livre de enfermidades. Eu me concentro mais e mais sobre como as coisas vão ser quando estiver competindo. A visão tornar-se mais clara e eu começo a ansiar por entrar no clima de competição. Durante este tempo eu só tento pensar positivo: dúvidas e "não pode ser" não tem lugar em meus pensamentos. É importante olhar apenas para as boas possibilidades agora. Também é importante que eu seja capaz de realizar o que eu quero fazer. Portanto, é importante que os líderes entendam que cada pessoa deve ser tratada um pouco mais individualmente, agora mais do que antes. Meu processo de sintonia fina física e mental já começou. 

Na véspera da competição: quando falta apenas um dia, eu conheço as condições da competição a seguir. É tempo de definir a minha rotina de preparação e ajustar meu estado psicológico para a competição. Algumas das perguntas que eu agora vou abordar são: Qual vai ser minha última sessão de treinamento? Quando eu vou comer? Eu vou fazer uma corridinha bem cedo? Quando devo começar o aquecimento? Qual técnico vai estar na partida? Quando vai ser minha partida? Existe algo de novo que surgiu no último minuto? 

No dia da competição: na minha concentração me vejo executando uma corrida perfeita, tenho o fluxo, penso positivamente, sou forte, eu posso, eu quero, eu ouso fazer e acho que tudo isso é uma grande diversão. Meus adversários estão lá, mas esta é a minha competição e eu sou totalmente dependente de meu próprio esforço e de minha força de vontade. A responsabilidade total sobre o desempenho é minha. É importante focar no percurso para que eu possa fazer meu melhor, sair com cuidado no início e aumentar o ritmo no meio e ao final do percurso. Independente do resultado dos demais, fazer aquilo que treinei ao longo de toda a temporada, e assim fazer meu melhor resultado.



22 de mar. de 2014

Manual do Orientista - Dica nr 37.

Dica no 37: Orientação em Montain Bike.

A Orientação em Montain Bike (MTB-O) é um esporte no qual o competidor, usando bicicleta, tem que passar por pontos de controle, marcados no terreno, no menor tempo possível, auxiliado por mapa e bússola.  Em MTB-O o elemento decisivo é a habilidade de navegação do competidor, como ocorre na orientação em esqui, onde o foco principal é a escolha de rotas em alta velocidade. Não é permitido o uso de aparelhos de navegação por GPS nas competições. O percurso não deve passar por obstáculos verticais intransponíveis como barrancos, penhascos, muros não transponíveis com a bicicleta e vias asfaltadas com transito intenso de veículos a motor. O ciclista deverá completar o percurso montando, levando ou empurrando a sua bicicleta. Os pontos de controle são sempre localizados nas trilhas, assim os participantes nunca podem abandonar a sua bicicleta. As rodas da bicicleta não podem tocar no solo fora de trilha; se abandonar a trilha o competidor terá de transportar a bicicleta com ambas as rodas no ar. 

É permitido carregar ferramentas e peças sobressalentes, mas durante as competições só é permitido usar aquelas carregadas pelo próprio competidor ou por outro participante da prova, sendo permitida a troca de peças e ferramentas entre eles, entretanto não é permitida ajuda externa, e os competidores devem terminar a prova com a mesma bicicleta que iniciaram. É obrigatório o uso de capacete, como equipamento de proteção. Como nas demais formas de orientação, é dever de todos os participantes ajudar os competidores feridos em algum acidente. 

O mapa para MTB-O possui características próprias, conforme padrão definido pela IOF, podendo ser confeccionado a partir de mapas de orientação pedestre, mas com uma legenda suplementar para classificar as trilhas quanto à sua largura e transitabilidade, assim como outras características peculiares.  A escala pode variar entre 1:5.000 a 1:20.000, conforme a distância do percurso, preferencialmente para ajustar até o tamanho A4. Normalmente é utilizado um suporte especial para o mapa, que é fixado ao guidão e pode girar para orientar o mapa. A bússola é de livre escolha do competidor, sendo mais comum o uso de algum tipo preso à mão. O cartão de controle ou cartão do sistema de picote eletrônico deve estar conectado à bicicleta, através de um cordão retrátil ou qualquer outro tipo de cordão, de modo que não seja removido da bicicleta durante o evento.

A MTB-O é uma modalidade de competição própria do esporte orientação, regulada e dirigida em nosso país exclusivamente pela Confederação Brasileira de Orientação, principalmente no que se refere a suas regras, formatos de competição e provas a nível nacional. Em vários países a MTB-O está bem difundida, inclusive com grande número de competidores exclusivos da modalidade. É possível envolver ciclistas de outras provas, como os de esporte de aventura, por exemplo, desde que as regras e formatos das competições de MTB-O sejam observados.
 

16 de mar. de 2014

Manual do Orientista - Dica nr 36.


Dica no 36: Orientação de Precisão – Esporte para todos. 


Orientação de Precisão é uma das quatro disciplinas da orientação internacional, as outras três são Orientação Pedestre, Orientação em Esqui e de Mountain Bike. Originalmente desenvolvida a partir da disciplina de orientação pedestre, a Orientação de Precisão é uma forma de esporte em que os competidores estão limitados a seguir por caminhos e trilhas, e fazem julgamentos sobre prismas colocados em objetos no terreno. Assim, a competição física é eliminada para permitir a participação de competidores com mobilidade reduzida, incluindo aqueles em cadeiras de rodas.


A Orientação de Precisão é aberta a todos, independentemente do sexo, idade ou a mobilidade física. Muitos orientistas ativos e experientes podem participar na Orientação de Precisão e beneficiar-se de várias maneiras. Eles acham que melhora suas habilidades de leitura de mapas e reconhecimento do terreno para a competição em orientação pedestre. Aqueles que fazem mapas encontram ajuda com detalhes de interpretação do terreno. Aqueles que organizam e planejam grandes eventos encontram ajuda na colocação de prismas e nas descrições de pontos de controle. E se estes benefícios específicos não forem motivo suficiente, há outra razão que incentiva orientistas experientes para participar na Orientação de Precisão. Eles são atraídos pelo desafio intelectual que a disciplina oferece.

Orientação de Precisão permite a igualdade de competição entre pessoas com boas condições físicas e outras com mobilidade reduzida, incluindo aqueles com deficiência física severa. É um dos poucos esportes em que a competição desse nível pode ter lugar. O órgão regulador, a Federação Internacional de Orientação (IOF), está consciente do valor dessa competição e tem o cuidado de garantir a sua imparcialidade e qualidade.

Embora a competição de desempenho físico esteja ausente nesta disciplina, ela tem lugar ao ar livre, percorrendo certa distância em terreno que nem sempre é plano. Então, algum esforço físico é necessário para completar o percurso, mas ajuda física é fornecida, quando necessário, para aqueles em cadeiras de rodas de propulsão manual. 

À medida que os competidores se movem ao longo do percurso, eles encontram problemas de orientação que devem ser resolvidos pela leitura cuidadosa do mapa de orientação e combinando-o para as características do terreno. A nível de iniciação os problemas propostos não são complicados e não é essencial ter experiência anterior com a orientação. Em níveis mais elevados de participação, o uso das técnicas de orientação é mais e mais colocado em jogo, e ao mais alto nível em competição internacional, os percursos são extremamente desafiantes e requerem competências técnicas normalmente além daquelas necessárias para a orientação pedestre. Também existem pontos de controle especiais onde um árbitro cronometra o tempo de decisão, que será utilizado como critério de desempate.

Quando a Orientação de Precisão foi originalmente concebida para os competidores com deficiência, era necessário que o foco da atenção estar em incentivar a participação destes. Isto inicialmente deu origem a um equívoco comum que a competição estava confinada a pessoas com deficiência física. Agora é amplamente compreendido que não há essa restrição com a Orientação de Precisão, sendo aberta a todos. Hoje a maioria dos participantes na Orientação de Precisão é fisicamente capaz, com uma ampla gama de experiência e habilidade, incluindo até campeões do mundo de orientação pedestre, todos atraídos por seu desafio técnico específico.

O Campeonato Mundial de Orientação de Precisão (WTOC), realizado pela primeira vez em conjunto com o Campeonato Mundial de Orientação (WOC) na Suécia em 2004, está aberto a todos os interessados (desde que sejam selecionados por suas federações nacionais), independentemente da idade, sexo ou habilidade física. Há também uma categoria "Paraolímpicos", que é fechada e restrita a pessoas com deficiência física, e com aprovação medicamente certificada pela IOF.

Aqueles que entram na Orientação de Precisão com experiência de orientação pedestre têm pouca dificuldade na adaptação para o formato. Os mapas são os mesmos, a linguagem é a mesma e os problemas a serem resolvidos, embora diferentes em alguns aspectos, pertencem claramente à orientação que eles conhecem. A Comissão de Orientação de Precisão da IOF, responsável pela manutenção e desenvolvimento da disciplina, está bem ciente da necessidade de manter esta forte ligação com a orientação pedestre, de modo que as duas versões do esporte possam evoluir. Ainda temos poucos eventos no Brasil, mas é uma modalidade que todos os orientistas devem experimentar quando disponível.

A IOF fez um manual prático sobre esta modalidade para para os orientistas. Eu fiz a tradução deste manual, que está disponível entre os manuais da CBO.

Introdução à Orientação de Precisão


Mediterranean Open Championship Orienteering 2014


Sabine Hauswirth e Daniel Hubmann - reis da 10a edição do Campeonato Mediterrâneo Aberto de Orientação 2014 na Toscana. 


O sueco Jonas Leanderson havia vencido a primeira etapa de Sprint por uma diferença de 6 segundos. Mas Daniel Hubmann venceu a etapa de distância média 24 segundos à frente de Jonas, e seu compatriota suíço Matthias Kyburz foi o terceiro. Na etapa final, Kyburz venceu o percurso, com o inglês Scott Fraser em segundo, Hubmann terceiro garantiu a vitória geral na soma dos tempos.


Na competição feminina destacaram-se a dinamarquesa Maja Alm e as suíças Judith Wyder e Sabine Hauswirth, sendo esta a vitoriosa na soma final das três etapas com 56:26, depois de ter vencido a segunda etapa.


Resultados:
Dia 1 - Montecatini

Dia 2 - Cecina

Dia 3 - Firenzi


Página do evento.

9 de mar. de 2014

Manual do Orientista - Dica nr 35

Dica no 35: Orientação não é esporte radical. 

Apesar de algumas competições de esporte de aventura terem provas que utilizam bastante orientação, nosso esporte não se enquadra nos esportes radicais, devido às suas formas de prática e tempo de duração da competição. Existe uma modalidade de orientação chamada de Rogaine ou maratona de orientação, praticada em alguns países da Europa, que consiste de uma prova de dois dias com bivaque no terreno, mas não é uma modalidade controlada pela IOF. As provas oficiais de orientação utilizam mapas mais precisos e seguem regras bem definidas em regulamentos nacionais. 
  
Na orientação, também temos aventuras, de acordo com as áreas, mas os riscos de acidentes são bem menores. Nos eventos de vários dias consecutivos, o tempo de competição de cada dia não passa de duas horas, para os que levam mais tempo para completar. A prova ao estilo de maratona de orientação é prevista para 2h 40min para o vencedor da categoria Elite; para as demais categorias o tempo do vencedor deve ser menor que duas horas. Na Europa as demais categorias partem depois da chegada dos primeiros da Elite, depois de assistirem as trocas de mapa e o desenrolar da competição, acompanhando pelo telão na área de chegada. 


Os orientistas podem competir bem nas provas de corrida de aventura, devido ao condicionamento físico e conhecimento técnico. Luís Antônio Barbosa, que foi da Equipe do Exército e chegou a participar de um Campeonato Mundial Militar, fez parte de uma das melhores equipes de corrida de aventura do Brasil, competindo até na Expedição Mata Atlântica e no desafio do Eco Challenge, conseguindo excelentes resultados. 

Em 1991 participei de uma prova organizada pela Escola Naval, o 1o Raid Naval, que tinha 800m de natação no mar, um percurso de orientação, canoagem de uma ilha até o continente, percurso de montanhismo, subindo por um córrego numa encosta íngreme e descendo a encosta por trilha estreita, fechando com mais 5 km de corrida de rua. Foi uma prova em duplas, que venci com José Ferreira de Barros, orientista da Marinha, em cerca de 7h de duração, mais uma prova extra de orientação noturna.

Somente ao final da década de 90 começaram a ser organizadas provas de esporte de aventura com maior frequência, mas nessa época não tive muito interesse por causa de meu envolvimento constante com a orientação e falta de tempo disponível para um treinamento adequado. Pessoalmente não sou muito favorável a provas extremas, que exigem esforços próximos ao nosso limite por um longo período de tempo. Parabéns aos que se preparam e completam essas provas! Para mim, uma maratona típica, com tempo até próximo de três horas, já é um grande esforço, que pode ser completado sem tanta dificuldade, de acordo com o treinamento, trazendo satisfação na sua realização. Provas em dias seguidos, com tempo adequado de recuperação são bem aceitáveis, mas desafiar nossos limites ao extremo é muito radical.

7 de mar. de 2014

Manual do Orientista - Dica nr 34

Dica no 34: As mulheres devem executar um treinamento diferenciado.

O treinamento físico feminino é diferente do masculino, tanto na intensidade quanto no volume. Os fundamentos utilizados são os mesmos, mas a individualidade biológica é um fator importante a ser considerado, embora as mulheres tenham a mesma disposição para o treinamento que os homens. Eu já treinei com algumas corredoras de fundo, como Márcia Narloch, ouro na maratona dos Jogos Panamericanos de 2003 e prata em 2007, que tinha um condicionamento físico excelente, que foi adquirido após anos de treinamento específico, sempre fazendo um treinamento adequado ao período em que estava dentro da temporada. Eu só superava o desempenho dela no período em que tinha tempo integral para treinar. Quando tinha apenas meio-período para treinamento, conseguia apenas igualar o desempenho. Se o treinamento não estivesse adequado, eu ficava para trás. Nos treinamentos intervalados eu conseguia acompanhar bem  a intensidade dos tiros, mas sofria para recuperar com intervalo curto. 

Na orientação o treinamento técnico deve ser o mesmo dos homens, inclusive, em muitos eventos nacionais, elas executam o mesmo tipo de percurso de algumas categorias masculinas. Mas esses percursos devem estar adequados ao condicionamento físico e técnico da categoria feminina a que está sendo aplicado. Um percurso bem traçado é aquele em que as primeiras mulheres façam tempo semelhante ao dos primeiros homens, para categorias de idade e grau de dificuldade semelhantes. As mulheres devem fazer percursos adequados à condição física em que estão naquela temporada. No aprendizado, as técnicas ensinadas são as mesmas, a diferença deve ser apenas na distância dos percursos.  


Na Força Aérea, a participação feminina na orientação começou em 1996, quando as primeiras mulheres foram para a Academia da Força Aérea (AFA). Em 1997 eu preparei um mapa para a NAVAMAER e ajudei a montar uma competição interna com a participação feminina. Nossas melhores atletas, Lislaine Link e Ana Paula Littig, que foram campeãs brasileiras, começaram a orientação na AFA em 1998. Aprenderam orientação treinando junto com os homens, geralmente nos mesmos percursos, normalmente chegando depois dos primeiros, mas na frente de vários homens do clube de orientação. No treinamento físico elas corriam juntas. Participaram das provas do Campeonato Paulista e do Campeonato Brasileiro da CBO, estando sempre entre as primeiras da categoria feminina. Em 1999 elas participaram como atletas reservas da equipe da AFA na NAVAMAER realizada em Resende-RJ pela AMAN, completando os mesmos percursos dos demais cadetes. 

Eles competiram em mapa e percursos que eu preparei, a convite do Capitão Gilvan Alves Flores, que era instrutor e técnico da equipe da AMAN. A partir de 2000 a CDMB colocou a categoria feminina em seu Campeonato, graças aos insistentes pedidos da então Tenente Carla Clausi, do Exército. Em 2001 nossas cadetes puderam participar, onde Lislaine venceu a competição e Litig foi a segunda colocada. Lislaine foi campeã quatro vezes no Campeonato das Forças Armadas (CAMORFA), de 2001 a 2008, e venceu três vezes o Campeonato Brasileiro da CBO (CAMBOR), na categoria Elite feminina. A Littig foi campeã em 2002 e 2004 no CAMORFA.



Depois disso, outras atletas passaram a se destacar por uma melhor capacidade de corrida, além da boa qualidade técnica, como Wilma Barbosa de Souza (que aparece na foto da capa desta edição), também da FAB, que foi a campeã do CAMBOR de 2006 e Sul-Americano de 2009, e Juliana Dummel, do Exército, campeã do CAMORFA e CAMBOR de 2007. Isto aumentou mais a disputa no segmento feminino, incentivando a melhora no condicionamento físico, que não estava tanto em evidência como ocorre entre os homens. 

Para os V Jogos Mundiais Militares, realizados no Rio de Janeiro em 2011, foram convocadas pela Marinha as melhores atletas da Elite que ainda não eram militares. Com esse reforço, foi da equipe feminina a primeira medalha do Brasil no Campeonato Mundial Militar de Orientação, com o 3º lugar na prova de revezamento dos V Jogos Mundiais Militares. Foi uma disputa emocionante, depois de receber na 5a posição, Wilma passou na 4a posição no ponto de espectadores, e ao final da última perna finalmente surgiu após a 2a colocada. 


Houve uma grande comemoração com a conquista dessa medalha de bronze, com toda delegação brasileira e o público presente. Foi impossível para a locutora do evento, Carla Clausi, conter a emoção ao ver uma equipe feminina brasileira ganhando a primeira medalha no Mundial do CISM, sendo ela uma das precursoras da participação feminina nos Campeonatos Brasileiros das Forças Armadas. Momentos depois da grande comemoração inicial, a Sargento Wilma veio abraçar a Major Carla, e emocionada agradeceu por esta ter aberto a porta para a participação feminina na orientação das Forças Armadas, dando exemplo e incentivando esta conquista dessa nova geração. 

5 de mar. de 2014

Manual do Orientista - Dica nr 33

Dica nº 33: As crianças merecem atenção especial.


A idade recomendada para execução de percursos de orientação para crianças é a partir de 8 anos de idade. Mas podemos começar a ensinar as técnicas básicas antes disso, de preferência sendo acompanhadas por um adulto. As crianças podem aprender a manusear um mapa de orientação antes mesmo de aprender a ler, pois o mapa é baseado em outros símbolos gráficos. 

O aprendizado deve ser progressivo, iniciando com mapas mais simples, em áreas conhecidas, passando para mapas mais detalhados aos poucos, até chegarmos a mapas de áreas novas, onde são realizadas as competições. Para deixarmos crianças executarem percursos sozinhas, é necessário que tenham aprendido o básico e já possuam autoconfiança. A dificuldade de percurso deve ser adequada ao nível técnico delas. Alguns organizadores superestimam o nível de dificuldade, traçando percursos muito difíceis, podendo desestimular os iniciantes. O nível de dificuldade deve seguir as recomendações da CBO, sempre com a visão de tornar a orientação um esporte interessante e sem riscos de acidentes ou ferimentos graves. Não é interessante que as crianças levem muito mais que uma hora na realização de um percurso qualquer. As dificuldades vão aumentando com o aprendizado, à medida que atingem idade maior e há mudança de categoria.  

A CBO recomenda que todos os iniciantes façam um curso de iniciação esportiva, com o objetivo adaptar o indivíduo ao meio natural, desenvolver a habilidade de usar corretamente a bússola, controlar a distância percorrida e desenvolver o senso de orientação, requerendo para isto um instrutor capacitado. A primeira fase da iniciação esportiva é a instrução mínima que um atleta deve realizar para ser filiado na CBO, tendo adquirindo o conhecimento básico para a prática do esporte, estando apto a participar individualmente de uma competição de orientação.

Para completar esses passos é importante o envolvimento com um clube de orientação que proporcione a instrução adequada e completa, capacitando o novo orientista para a realização dos percursos conforme sua idade e categoria.


 Ir ao ÍNDICE