Dica nº 86: Nem sempre as coisas ocorrem como planejado.
Cometer erros é muito comum na orientação. Lamentamos quando erramos muito em um ponto de controle e perdemos aquele percurso, jogando por água abaixo um bom resultado numa competição importante. Apesar de nossas expectativas, nem sempre as coisas ocorrem conforme o planejado. No CAMORFA de 1990, meu principal concorrente era José Anilton Oliveira Hennig, da Equipe do Exército. No primeiro percurso ele saiu logo depois e me alcançou no 1º ponto, depois de um erro meu. Corremos até o final próximos um do outro, algumas vezes fazendo rotas diferentes e nos encontrando novamente logo adiante. Mas o pior para mim não foram os 3min de diferença no tempo, pois eu seria o 2º colocado e a disputa continuaria no dia seguinte. Em um dos pontos de controle, quando eu estava logo à frente dele, o picotador virou na minha mão e não marcou direito o cartão – naquela época os picotadores ficavam pendurados ao prisma, e não em suportes como atualmente. Na pressa de sair para deixar o Anilton marcar, olhei o cartão de controle e achei que a marcação estava boa, seguindo normalmente o restante do percurso. Para minha surpresa, após a chegada fui desclassificado por falha de picote, mesmo tendo sido anotada minha passagem, junto com outro atleta, pelo controlador de ponto. No dia seguinte eu zerei o percurso e o Anilton errou um ponto, perdendo muito tempo e a disputa do título. O campeão no final foi o Otávio, que fez o segundo melhor tempo do 2º percurso, mesmo tendo cerca de 10min a mais na soma dos dois percursos – meus tempos foram 5min melhores em cada dia. Depois desse evento, só fui ser campeão do CAMORFA novamente em 1999, pois mesmo estando sempre entre os três primeiros, não era fácil vencer em dois percursos seguidos, mas nunca desanimei de continuar tentando.

Na organização de eventos nem sempre as coisas ocorrem conforme o planejado. Para que tudo saia dentro dos horários previstos, é necessária uma boa coordenação das atividades, onde o pessoal envolvido saiba exatamente o que fazer e quando cada tarefa deve estar pronta. Podem ocorrer alguns atrasos quando temos poucas pessoas no apoio, ou quando as tarefas não são feitas no momento certo. Na maioria dos eventos que trabalhei, conseguimos que a partida começasse no horário previsto, mas algumas vezes houve atraso na montagem das barracas na partida, ou algum outro imprevisto, quando os horários não foram controlados adequadamente. Alguns eventos nacionais merecem mais atenção aos detalhes da organização, mas o principal para tudo correr bem é ter uma equipe de apoio com pessoal qualificado, para que tudo seja montado conforme o previsto e não ocorram atrasos na partida ou demora na entrega de premiação. Outro detalhe importante é colocarmos pelo menos duas pessoas para cada tarefa, assim uma pode conferir o trabalho da outra, diminuindo as possibilidades de erros. Mesmo que pareça desnecessário, quando trabalhamos com pessoas experientes, a supervisão de todas as tarefas é importante.
Numa etapa de campeonato estadual, eu tinha pedido ao organizador que colocasse mais alguém para me ajudar na confecção dos mapas e colocação dos prismas, mas não fui atendido. Procurei fazer o melhor possível, mas um erro passou sem ser notado, por falta de revisão. Eu tinha alterado um ponto de controle da categoria Elite, mas não passei a mudança para o mapa matriz, que ficava num arquivo diferente. Tive bastante dificuldade para imprimir todos os mapas sozinho e colocar todos os prismas a tempo, mas cheguei à área de partida meia hora antes do horário de partida do primeiro competidor, com o pronto do percurso. Para minha surpresa o pessoal de apoio não estava pronto para iniciar a prova no horário previsto. Tive que ajudar também na organização da área de partida para que o evento tivesse início, já com atraso. Mas o pior para mim foi quando chegaram os primeiros atletas da Elite, sem ter encontrado um dos pontos de controle. Somente naquele momento fui perceber meu erro, havia feito uma mudança no percurso elite que não passei para o mapa matriz, mas era tarde demais para corrigir. Depois que todos correram, fui recolher todos os pontos, sozinho novamente. Lembro-me de ter chorado depois de recolher o prisma que estava no local errado; tinha sido a primeira vez em mais de seis anos montando percursos que um prisma estava colocado errado, e foi a única vez que isto ocorreu comigo numa competição importante.
Situações semelhantes podem ser evitadas quando temos várias pessoas trabalhando em equipe, ajudando e verificando o trabalho dos outros. Nos eventos grandes devemos colocar etiquetas marcando o local dos prismas com certa antecedência, porque às vezes é um orientista menos experiente que ajuda a colocar os prismas. Em uma competição mais recente, onde não tive tempo de colocar etiquetas, fiquei na dúvida ao questionar meu auxiliar sobre o local do prisma; mas antes da partida dos primeiros eu fui verificar e o prisma estava a 30 metros do local previsto, mas tive tempo de reposicionar e evitar problemas.
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