Dica nº 89: Em revezamentos é interessante partir primeiro.
A escolha da ordem num revezamento depende das características individuas de cada participante da equipe. Para quem não tem problemas para se concentrar numa partida em massa, é bom partir na primeira perna de uma prova de revezamento. É muito interessante a partida com bastante gente, apesar do tumulto inicial. Depois ocorre a dispersão em pequenos grupos, até que ao final da perna poucos permanecem juntos. Na escalação do revezamento, geralmente colocamos o atleta mais rápido na primeira perna, o mais constante no meio e o mais experiente na última.
Meu melhor resultado em revezamento foi no Campeonato Mundial de 1992, no Brasil, saindo na 1a perna. Eu estava em meu auge de preparo físico. Corri sem errar nenhum ponto e próximo aos pontos finais vi um atleta suíço bastante à frente. Ao chegar ao penúltimo ponto, encontrei o atleta norueguês Bernt Bjørnsgaard (medalha de prata no Mundial de Juniores naquele ano) e dali em diante a rota era comum até o final, atravessando diagonalmente uma área de pinheiros com galhos baixos. Nós corremos paralelamente, numa velocidade surpreendente, só se ouvia o barulho de galhos secos quebrando.
Estávamos juntos ainda quando atingimos a estrada a 300 metros do ponto, que ficava a cerca de 100 metros do canto do bosque. Quando notei a intenção dele de contornar a vegetação, cortei direto pela diagonal que levava até o ponto. Com isso cheguei ao ponto primeiro e mantive a dianteira, fazendo a passagem do revezamento na frente dele. O competidor da Suíça foi o 1º daquela perna; fui o 2º e o norueguês 3º. Na foto do Barros saindo depois da passagem ainda pode ser visto o suíço que acabara de sair em nossa frente.
No final aquela equipe da Noruega ganhou, com o campeão mundial Peter Thoresen fechando, e a equipe da Suíça foi a 2ª colocada. Nossa equipe fechou em 7º lugar, até hoje a melhor marca brasileira no revezamento masculino. Nunca corri tanto numa chegada, nem mesmo em corridas de rua.
Depois dessa ocasião, ainda tive a oportunidade de partir primeiro em algumas outras provas de revezamento, mas a mais interessante foi no Jukola Relay, na Finlândia em 2005, após a participação no campeonato Mundial Militar, pois uma partida em massa na orientação com mais de 1300 equipes participantes é inclível! É difícil manter a concentração com tanta gente, fora a dificuldade de correr à noite, onde temos pouca experiência, mas eu fui melhorando até a parte final do percurso, e cheguei a melhorar quase 200 posições em relação ao primeiro local de marcação de tempo parcial e fechei com o melhor ritmo médio de todas as corridas que fiz na Finlândia naquele ano.
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