Dica nº 80: Mantenha a concentração com outros na rota.
Nas competições nacionais, acontece de atletas serem alcançados por orientistas mais experientes e com condicionamento físico semelhante; alguns têm a tendência de perder a concentração no mapa, preocupando-se apenas em não perder o outro de vista. Não há problema em seguir a mesma rota, desde que continue concentrado no mapa. Nos Campeonatos Mundiais, eu não costumava acompanhar os atletas que me alcançam, principalmente porque corriam muito mais rápido, mas é possível fazer a mesma navegação por alguns pontos.
No percurso longo do Campeonato Mundial na Holanda, quando estava na rota do 5º para o 6º ponto, fui alcançado pelo atleta polonês que saíra 4min depois de mim. Antes disso estava mantendo meu ritmo normal de corrida com o frequencímetro marcando cerca de 165bpm, minha frequência de “cruzeiro”. Aumentei o ritmo para o acompanhar e a pulsação passou para a faixa de 175 a 180bpm, já passando do meu limite de limiar anaeróbico. Sabia que não conseguiria manter aquele ritmo por muito tempo, indo próximo apenas até a 1a troca de mapa. Daí reduzi a velocidade e deixei abrir distância aos poucos, mantendo minha atenção ao mapa. Após mais alguns pontos perdi o contato visual, mas continuei no meu ritmo normal, seguindo minha orientação, finalizando o percurso num tempo muito bom, o melhor entre os brasileiros. É bom conhecermos nosso ritmo de corrida, pois não adianta forçar além de nossa capacidade e depois acabar tendo que andar quando entrarmos em fadiga.
Na mesma competição, após a segunda troca de mapa, alcancei um atleta turco ao me aproximar do ponto de controle seguinte. Peguei o ponto antes dele, que passou a correr à minha frente em seguida. Para o próximo ponto notei que ele começou a desviar para a direita; deixei ele ir e fiz minha navegação, achando o ponto primeiro.
E continuou assim por mais alguns pontos, ele desviando a rota e eu marcando primeiro, depois ele seguiu para outra variação, em direção totalmente diferente. O importante foi que não perdi a concentração na navegação que estava fazendo e não perdi tempo como ele. Continuei minha orientação e cheguei sozinho na área do ponto seguinte, sendo alcançado por um atleta estoniano, que ainda estava no segundo mapa, vindo de outra variação e achamos o ponto juntos. Segui fazendo minha navegação, observando o que ele fazia até o ponto comum antes da troca de mapa; ele seguiu para a troca de mapas e eu fui para os 3 últimos pontos antes da chegada. Por curiosidade, após a chegada verifiquei que o tempo do turco foi bem mais alto que o meu e o estoniano não completou o percurso por algum motivo qualquer. Em percursos com troca de mapas e com variações, precisamos estar atentos ao nosso percurso e navegação, independente do que os outros atletas estejam fazendo. É muito comum encontrarmos atletas com variações diferentes que passam na mesma rota, mas que estão seguindo para pontos diferentes, por isso não podemos nos deixar influenciar, mantendo nossa concentração no mapa.Em uma prova de revezamento na Áustria, correndo na pista com os técnicos e convidados, perdi a atenção ao mapa do segundo para o terceiro ponto onde as rotas cruzavam-se, indo na direção para onde seguiam vários outros atletas, eu estava marcando a distância mas comecei a perder contato com os detalhes do mapa. Ao chegar a distância prevista encontrei outro ponto de controle! Notei então que havia desviado para uma posição abaixo de onde deveria ir; fiz a correção para o lado onde deveria ter seguido e felizmente não estava longe do ponto de controle correto, achei o ponto em cerca de 30 segundos. Não foi uma grande perda de tempo, pois neste mesmo percurso haviam alguns pontos de controle que estavam posicionados em locais mais complexos e que exigiram mais atenção. Por isso redobrei a atenção dali em diante. Na última parte do percurso notei que dois colegas brasileiros que corriam mais estavam descendo para o ponto de espectadores na minha frente, mas havia ainda uma perna menor depois de passar pela arena da chegada. Fui com atenção quando notei que havia um ponto de controle numa área de verde claro com várias reentrâncias; busquei um ponto de ataque nítido, fui com mais cautela com a bússola e achei o ponto de primeira. Ao chegar fiquei surpreso ao chegar na frente dos outros brasileiros e do técnico da Bélgica, que eu havia visto perto do ponto de espectadores. Como dizia meu técnico Uderci: “Quem não erra, ganha!”
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