10 de fev. de 2026

Manual do Orientista - Dica nr 96

 Dica nº  96: Orientação e impacto ambiental.

Além dos princípios expostos na Dica nº 9, gostaria de acrescentar algumas informações sobre impacto ambiental.

Toda atividade humana em meio natural gera algum impacto ambiental. Impacto ambiental é o efeito causado por qualquer alteração benéfica ou adversa causada pelas atividades humanas ou naturais no meio ambiente. As ações humanas sobre o meio ambiente podem ser positivas ou negativas, dependendo da intervenção desenvolvida.

A Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro é um exemplo benéfico, quando de sua criação, no final do século XIX, ao ser reflorestada uma grande área onde desmatamentos e queimadas, antes para a cana de açúcar e depois para o cultivo do café, haviam substituído grandes áreas de floresta por fazendas já pouco produtivas. 


Os orientistas encontram poucos problemas na área ambiental ao realizar eventos em áreas não protegidas. Em alguns casos, como em plantações da indústria de papel, conseguimos apoio para as atividades esportivas em suas áreas. Entretanto, há muitos locais onde a orientação deve observar a conservação de áreas especiais e agir com responsabilidade, buscando as permissões necessárias após um estudo e planejamento de uso da área, de modo a minimizar o impacto ambiental e perturbação da fauna.

Através de um bom planejamento, efeitos negativos significantes podem ser evitados. Precisamos entender o problema e fazer parceria com os órgãos que controlam as áreas em que realizamos eventos. A orientação tem o lado positivo do mapeamento detalhado das áreas que utilizamos, além da oportunidade de promover a educação ambiental entre os participantes. Devemos usar essas oportunidades para agir positivamente em relação ao meio ambiente. 

As Florestas e Parques Nacionais têm a preocupação de propiciar a visitação, lazer e recreação de forma ordenada, voltados para a sensibilização ambiental, a valorização e a conservação do patrimônio natural, e promover a educação ambiental, constituindo-se como espaço pedagógico difusor de conceitos e práticas ambientalmente corretas. A orientação pode cooperar com essas tarefas dos administradores de áreas públicas e privadas. No planejamento de eventos, os percursos devem ser traçados de modo a direcionar os competidores pelo terreno de maneira adequada, evitando áreas perigosas aos praticantes e sensíveis ao meio ambiente, delimitando com fitas quando necessário.

As áreas com charco são as que podem ser mais afetadas e de recuperação mais demorada, por isso deve ser evitado o cruzamento dessas, posicionando os pontos de controle nas bordas e não no meio, de modo que os competidores chegando e saindo do local não sejam obrigados a passar pelo charco. Trilhas temporárias podem ser criadas na vegetação, mas normalmente desaparecem em pouco tempo. Em alguns locais deve ser observada a melhor época do ano para eventos, assim como o rodízio de áreas em uma grande região. Em áreas extensas é preciso observar a quantidade de animais selvagens e reservar locais para refúgio, direcionando as rotas para evitar esses locais. Muitas dessas medidas são de responsabilidade dos organizadores, mas todos os praticantes devem conhecer essas recomendações e cooperar com os cuidados necessários.

O cuidado com o recolhimento do lixo, por exemplo, é importante em todas as ocasiões, observando o recolhimento de latas, garrafas e plásticos encontrados no local ao final dos eventos, sendo responsabilidade não apenas dos organizadores, mas de todos os participantes. Esses aspectos educativos devem ser ensinados aos novatos no esporte, pois eles precisam aprender a respeitar os perigos da natureza, assim como respeitar suas fragilidades. Durante um percurso, o orientista fica atento à sua volta para atingir seus objetivos. Esta atenção estende-se à natureza em volta dele, sendo um grande privilégio e também uma grande responsabilidade.

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