10 de fev. de 2026

Manual do Orientista - Dica nr 99

 Dica nº  99: Orientação é um estilo de vida. 

Para muitos esportistas, o envolvimento com o esporte incorpora tantos hábitos que passa a fazer parte do estilo de vida. Observei muitos atletas da Elite na Europa que incorporaram esta realidade. Para muitos deles, o envolvimento com o esporte começa quando crianças e torna-se mais efetivo na juventude, quando começam a se destacar nas competições de juniores. Ao passarem para a Elite, a dedicação é quase integral à orientação, um fator necessário para a obtenção de resultados a nível nacional e internacional. A maioria deles faz um curso superior, e continuam envolvidos com o esporte mesmo após deixarem de competir na Elite. 

Geralmente continua o vínculo com um clube de orientação ou algum vínculo profissional ligado à promoção de eventos, mapeamento ou instrução. Göran Ölund, que foi destaque entre os atletas da Elite da Suécia em meados da década de 60 e década de 70, continuou atuando no clube de sua cidade como mapeador e como técnico, garantindo a continuidade da fama de seu clube em revezamentos, com atletas de destaque a nível nacional e internacional. Sua casa de campo tem um quarto especial para hospedar atletas em treinamento, que podem treinar num mapa que ele fez naquela região. Um de seus filhos ensina orientação para as crianças do clube e o outro trabalha numa empresa que fabrica roupas e calçados de orientação.

Entre aqueles de minha idade, gostaria de citar o exemplo de Arto Rautiainen, atleta da Elite na Suécia no período de 1986 a 1998. Em 88, aos 20 anos de idade, ele participou do Campeonato Mundial Militar na Dinamarca, foi campeão individual e ajudou sua equipe a ser campeã naquele ano, junto com Kent Törnqvist, que após especializar-se em psicologia esportiva, foi o técnico da equipe militar sueca por mais de 10 anos.

Arto teve vários resultados expressivos na Elite internacional, correndo entre os melhores do mundo. Eu o conheci quando esteve no Rio de Janeiro em 1994, onde nos ajudou no mapeamento da Fortaleza de São João, na Urca. Estive com ele por duas semanas, onde além do mapeamento, participamos de um percurso na Floresta da Tijuca e de uma corrida de 10km em Niterói. Mesmo estando no auge de sua carreira como atleta, ele mantinha uma simplicidade e simpatia que agradava a todos que o conheciam. Depois de parar de competir na Elite, continuou envolvido com as atividades de seu clube de orientação. O contato com o esporte na maioria das vezes não é a atividade profissional principal dos orientistas, como acontece com muitos esportes amadores, mas influencia bastante nosso modo de vida e nosso círculo de amizades. 

A orientação pode ser um divertimento para muitos, com a oportunidade de conhecer lugares novos e ter contato com a natureza. Oportunidade para viajar e conhecer lugares diferentes no Brasil e no mundo. Para participar do campeonato brasileiro temos a oportunidade de conhecer diversas cidades em estados diferentes. A influência em nossas vidas vai além dos benefícios da atividade física e do lazer. Podemos fazer amizades e conhecer pessoas com qualidades incríveis, tanto profissionais como pessoais. De todos os benefícios, talvez esses benefícios sociais colaborem muito mais para o crescimento do esporte que o lado competitivo dele. As lembranças de um grande atleta estão ligadas não somente a seus feitos, mas principalmente a seu bom caráter e seu relacionamento com os amigos.

 

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