Dica nº 76: Os veteranos devem respeitar suas limitações.
As categorias de veteranos começam a partir dos 35 anos, apesar de sempre termos alguns atletas depois dessa idade ainda competindo na categoria Elite, mas são poucos. Alguns desses até ganham medalha no Campeonato Mundial da IOF, como aconteceu com o sueco Jörgen Martensson (aos 38 anos) e o norueguês Bjørnar Valstad (aos 37 anos).
No caso deles, além de terem sido atletas de destaque desde juniores, ainda mantiveram o condicionamento físico a nível compatível com o dos atletas mais jovens até os 40 anos de idade. O caso mais recente é o de Daniel Hubmann, que ganhou uma medalha de ouro no revezamento do Campeonato Mundial em sua casa, na Suíça, em 2023 aos 40 anos de idade.O Campeonato Mundial de Masters da Orientação é bastante disputado nas primeiras categorias devido a competidores desse nível técnico e físico, sendo que várias categorias ainda têm ganhadores que foram campeões nacionais e mundiais quando eram jovens. Aqui no Brasil, eu e Carlos Alberto de Araújo, da Equipe do Exército, que venceu o CAMORFA em 2004 e 2007, já com mais de 35 anos de idade, nos esforçamos bastante na disputa com atletas mais jovens, que geralmente corriam até mais rápido. A experiência nos ajudou a manter um nível de competição compatível com os demais competidores da Elite, mas o condicionamento físico foi o fator limitante para continuarmos competindo entre os primeiros.
Eu encerrei minha carreira de competidor das Forças Armadas em 2008, aos 41 anos de idade, com uma medalha de prata no percurso médio e outra prata no revezamento, após ter vencido um percurso longo no ano anterior, com 40 anos. Em minha última prova de revezamento fiz a última perna; saí na quarta posição, mas consegui passar dois competidores na busca pela medalha. Participei de competições na categoria Elite até os 48 anos de idade, após completar 30 anos na Elite.Depois de parar de treinar para competir, a partir dos 50 anos eu senti a dificuldade da idade com uma frequência maior de lesões musculares simples que não ocorriam anteriormente. Isto não desmotiva de continuar participando, mas é um alerta para ter uma preocupação adicional antes e depois de cada evento.
Geralmente existem percursos diferenciados para veteranos experientes, aqueles que já competiram em categoria “A” ou na Elite anteriormente. Isto ocorre por estes já estarem acostumados a desafios difíceis, pedindo percursos com maior dificuldade técnica. Entretanto, fica a cargo de cada veterano o controle das condições limites para a execução de percursos em condições mais difíceis, quando o clima está muito quente ou quando a área é montanhosa. Cada um conhece suas limitações pessoais, assumindo os riscos caso as condições de competição possam trazer algum risco para a saúde. Os organizadores sempre colocam apoio médico à disposição para casos de emergência, mas todos devem evitar situações perigosas. É importante ter mais cuidado com a hidratação durante competições em dias extremamente quentes, ou evitar esforço demasiado quando existe algum problema cardíaco em potencial.
Há opção de percursos menores e mais simples, para aqueles que optam por caminhar e fazer orientação apenas por lazer, a competitividade não é prioridade nas categorias “B” e “N”, e os organizadores costumam traçar os percursos com esta visão.
Até mesmo para aqueles que participam de uma categoria “A” de veteranos, a prioridade deve ser a de aproveitar o desafio técnico do percurso em vez de competir. Depois de várias centenas de percursos competindo, participar de um percurso só pelo prazer de descobrir novos caminhos já é recompensador.
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