Dica nº 82: Não mude sua tática sem necessidade.
No Brasil é ainda comum encontrarmos uma figura mitológica da orientação chamada de “carneiro”, conforme descrita em nosso Glossário (Anexo B) como aquele competidor que vai atrás de outro orientista, mesmo não sabendo exatamente onde está indo. Geralmente quando encontramos outro orientista que perdeu tempo em algum ponto, mas sabemos que tem um bom nível técnico e de corrida, não damos importância e continuamos com nossa navegação normal, e até pedimos para ele ajudar a puxar o ritmo ou encontrar algum prisma que esteja menos visível, ao nos aproximarmos do ponto de controle. Teve uma competição que eu “zerei” o percurso com a ajuda de um carneiro de outra equipe que corria bem, na verdade ele corria melhor que eu, mas se orientava menos; eu o alcancei no primeiro ou segundo ponto e seguimos juntos até o fina. Eu mantive a concentração e pedi para ele ajudar a manter o ritmo de corrida e ficar atento ao chegar nos pontos de controle; talvez se estivesse sozinho não correria tão forte a ponto de fazer o melhor tempo, pois tive confiança de correr forte até o final do percurso, usando as táticas adequadas a corrida mais veloz.
No dia seguinte estava previsto ele partir logo depois de mim. Resolvi trocar a ordem de partida com meu colega de equipe, passando a sair depois daquele adversário, garantindo minha vitória caso o alcançasse. Aconteceu o previsto: alcancei os dois no primeiro terço do percurso, meu colega e o adversário. Na metade do percurso resolvi testar se o colega do Exército estava concentrado no mapa ou se estava encarneirando: numa rota longa, ao chegar numa bifurcação, peguei propositalmente a direita, quando devia entrar na esquerda. Passei cerca de 50m e ele seguiu atrás. Quando parei, ele passou por mim e não entendeu direito o que havia acontecido, olhando o mapa para se orientar. Fiz meia-volta, voltando em direção à bifurcação, olhando a mata ao lado, e cortei caminho quando a mata ficou menos densa, faltando pouco para chegar na trilha correta. Ao passar pela mata, vi que ele fez o mesmo, mas entrou antes, numa parte mais larga e mais densa. Com isso pude abrir distância e ele foi chegar mais de 5min depois de mim e de meu colega de equipe.
Mas fiz isto porque era num treinamento, nunca fiz algo semelhante em competição oficial, apesar de ser comum alcançar vários outros competidores, pois na maioria das vezes os outros corriam menos e conseguiam seguir junto apenas alguns pontos de controle e acabavam ficando para trás.
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