5 de fev. de 2026

Manual do Orientista - Dica nr 70

 Dica nº  70: A participação em outras corridas.


Desde que haja disponibilidade, o treinamento de orientação pode ser ajustado ao treinamento de corridas de rua, de pista ou de montanha. Naturalmente, há diferenças significativas, que diferenciam bem os atletas que se destacam mais em um ou outro esporte, mas o treinamento básico é semelhante. Para o orientista, as provas de rua ou de pista são oportunidades de melhorar o desempenho físico em provas onde o público está presente, acompanhando e incentivando os participantes. O fator público é relevante em competições, geralmente de maneira positiva.


Quando tive disponibilidade para treinamento, participei de diversas competições principalmente meias-maratonas e corri até uma maratona. São experiências bem diferentes, mas bastante positivas. Especialmente em algumas cidades, como no Rio de Janeiro, é muito interessante participar de corridas de rua, que passam por lugares agradáveis, como a orla marítima. É comum também que o ritmo de corrida no primeiro quilômetro dê abaixo de 3 minutos, devido à presença dos outros competidores, depois entramos no ritmo que treinamos para fazer naquela prova e vamos marcando o tempo parcial a cada quilômetro para confirmar o ritmo que estamos fazendo. Geralmente mantemos um ritmo forte e confortável, onde podemos acompanhar ao lado de outro competidor qualquer de maneira confortável. Quando fica muito fácil acompanhar alguém, apertamos o ritmo para buscar outro competidor que esteja mais adiante e seguimos no ritmo dele. Seguimos no ritmo planejado pelo menos por dois terços da prova, e se estivermos nos sentindo bem podemos apertar mais o ritmo no final e tentar fazer um tempo mais baixo do que o planejado inicialmente. Mas se o cansaço começar a bater neste ponto, então nos esforçamos pelo menos para tentar manter o ritmo previsto até o final.


Para mostrar como o público é relevante, lembro-me do último Campeonato de Atletismo das Forças Armadas, em 2001, quando participei da prova dos 10.000m. A FAB já havia parado de investir na equipe de fundo, restando poucos fundistas em atividade. Fui chamado para completar o grupo e garantir pelo menos a segunda colocação da equipe, o que efetivamente aconteceu. Na época em que tínhamos mais apoio, eu costumava ser um atleta reserva na equipe de fundistas, mas naquele ano eu fui o melhor do percurso longo da Corrida Através-Campo. No atletismo competiam dois atletas de cada equipe em cada prova, por isso fui chamado para correr nos 10.000m. Meu colega Laurênio Beserra era um maratonista experiente, que já ganhara várias vezes essa prova, mas não teve apoio adequado para treinamento naquele ano. Na largada ele saiu junto com os primeiros, mas parou depois da 3a volta. Eu saí no meu ritmo, mais fraco que os demais, certo que seria o último da prova, mas disposto a completar e marcar dois pontos para a equipe, depois da desistência do Laurênio. Próximo da metade da prova, os primeiros me alcançaram, bem na reta próxima ao público. Aí começaram a gritar: “Olha o capote!”. Eu já esperava levar o capote, isto é, levar uma volta dos líderes da prova, mas os gritos do público mexeram comigo: aumentei o ritmo de corrida para acompanhar os líderes na curva e depois os ultrapassei na reta oposta, tirando o capote. Mantive a dianteira até passar novamente na reta próxima ao público, com o público aplaudindo! Eu corria como se estivesse pisando em nuvens. Baixei o tempo da volta de 1min 21seg, que era meu tempo médio, para 1min 10seg, abaixo do tempo médio dos líderes. Depois de completar aquela volta deixei os líderes passarem, voltei ao meu ritmo normal e completei a prova dentro do tempo previsto, sem levar um segundo capote e voltei a passar em frente ao público agradecendo pelos aplausos de incentivo ao final, quando o locutor anunciou que eu tinha sido o campeão da corrida de orientação naquele ano. Com o público, nosso resultado geralmente melhora, e podemos ter experiências que não atrapalham nosso desempenho na orientação. 


O treinamento com uma equipe de corrida de fundo também é muito proveitoso na preparação física básica, principalmente na realização do treinamento intervalado visando melhoria no ritmo de corrida. O treinamento intervalado também melhora a qualidade do movimento de pernas e braços. Na Europa e também no Brasil, os treinadores de corrida de fundo têm a preocupação de corrigir a mecânica de corrida de seus atletas, visando melhores resultados. O trabalho constante na pista de atletismo pode ajudar bastante no desenvolvimento do ritmo e na mecânica da corrida, melhorando a qualidade e a eficiência.




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