5 de fev. de 2026

Manual do Orientista - Dica nr 68

 Dica nº 68: Trilhas não mapeadas ou terreno muito detalhado.


Por melhor que seja o mapeamento, algumas trilhas indistintas ou trilhas antigas abandonadas não aparecem no mapa, que não são relevantes para o mapeador, especialmente algumas feitas por gado, mas que podem ser vistas ocasionalmente no terreno. Algumas vezes esse tipo de trilha facilita a passagem em alguns trechos de mata ciliar (geralmente verde médio). A sensibilidade para identificar acidentes assim e usar para ganhar tempo, depende muito da experiência para avaliar uma situação favorável, pois não são muito confiáveis. A dica principal é que a maioria delas leva para um local onde há água, para um objeto hidrográfico que pode ser identificado com facilidade e segurança. Com elas encontramos atalhos que não aparecem no mapa ou podemos seguir através de uma área verde numa direção geral previsível. Esta tática é útil quando podemos arriscar para ganhar tempo, quando não temos nada a perder e podemos ganhar tempo progredindo no terreno com mais rapidez.


Já em terreno com muitos detalhes é necessário selecionar os objetos com melhor visibilidade, ignorando os detalhes menores. Esta tática é muito utilizada nos países nórdicos, onde o terreno e os mapas são extremamente detalhados. Para quem não está adaptado a terreno assim é realmente muito difícil progredir com rapidez nos primeiros percursos. Enfrentei bastante dificuldade em algumas áreas assim, especialmente na Noruega e Finlândia. São áreas onde a quantidade de pedras e afloramentos rochosos é muito grande, com grande quantidade de detalhes do terreno representadas por curvas de nível, especialmente quando os afloramentos rochosos e pedras estão cobertos com musgo ou outro tipo de vegetação rasteira. 


A atenção aos detalhes somente é necessária quando chegamos ao ponto de ataque e vamos abordar o ponto de controle. Antes disso, além de ser muito difícil seguir todos os detalhes, é comum reduzir a velocidade de corrida desnecessariamente. Outras vezes, por haver detalhes demais, a interpretação fica mais difícil e perdemos o contato com o mapa, acabando por entrar num erro paralelo, ao interpretar que os objetos que estamos vendo coincidem com os que queremos encontrar, sendo que na realidade estamos em outra posição do mapa. No Brasil é difícil encontramos áreas semelhantes. O mais comum é encontrarmos algumas áreas com muitos detalhes de vegetação, onde há a possibilidade de confundirmos algumas orlas ou termos dificuldade em definir as mudanças de vegetação. 


Nesses casos, onde a vegetação não está bem definida, mesmo que apareça desenhada no mapa, devemos deixar de lado a tentativa de reconhecer as mudanças de vegetação e buscarmos outros objetos mais distintos, como detalhes do relevo ou da hidrografia, ou outros objetos distintos, quando houver, procurando fazer a marcação da distância percorrida para evitar enganos. Assim mudamos o padrão de navegação, seguindo os detalhes definidos até atingirmos o ponto de ataque e depois ir ao controle.




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