Dica nº 93: Competição noturna é muito emocionante.
Logo após o Campeonato Mundial Militar de 2005 na Finlândia, tive a oportunidade de participar do Jukola Relay, a maior competição de revezamento do mundo, com mais de 10 mil atletas masculinos participantes, onde fui o primeiro a partir de minha equipe, numa das pernas mais longas, com cerca de 13 km. As equipes femininas competem à tarde, cerca de 600 equipes com 4 participantes cada. A partida masculina geralmente ocorre às 23:00h, e são mais de 1.300 equipes, o que significa ter mais de 1.300 pessoas na partida para a primeira perna.
Por ser realizado no verão, e não muito longe do Círculo Polar Ártico, o período de escuridão total quase não existe, mas é bem escuro dentro da floresta. Todos saem com lanterna na cabeça, principalmente para ter uma boa leitura do mapa.
Desde início da competição começam a se formar várias filas de luzes, indo para direções diferentes. Quando estamos num campo aberto, é possível ver 3 filas bem distintas. Uma tática bastante comum é tirar a direção com a bússola e seguir a fila que ela apontar. Mas para fazer isto é necessário saber sempre qual o local onde se está e conferir as referências mais distintas no terreno. Com um pouco de prática e utilizando técnicas básicas, não é tão difícil chegar aos pontos de controle corretos. É comum haver pontos de controle próximos uns dos outros, pertencentes a variações diferentes. Nestes casos, é importante estar atento à navegação nas proximidades dos pontos, para quando achar um prisma de código diferente, rapidamente identificar a direção correta a seguir. Aconteceu de observar que a fila seguia com tendência para a direita ao aproximar-se do alto de uma elevação onde estava o ponto. Quando bati num ponto de controle com código diferente, logo virei para a esquerda, onde vi outras luzes, e achei o ponto correto. Correndo para o ponto seguinte passei um pouco mais adiante por outro ponto de variação diferente. Quando mantemos a concentração no mapa, seguindo os pontos de referência, é incrível quando avistamos o ponto de controle que procuramos. Às vezes escolhemos uma trilha diferente e saímos da fila de luzes; passa até um temor de ter seguido por uma trilha errada; mas dali a pouco, ao voltarmos para outra trilha mais próxima ao ponto, encontramos a fila de luzes novamente. Outra imagem incrível que podemos presenciar é quando a fila do final de uma perna cruza com a fila do início da perna seguinte. São duas filas de luzes, uma com mais de um quilômetro de extensão, cruzando-se com as luzes que seguem em direções diferentes e sentidos opostos. Foi uma imagem incrível e que nunca imaginava presenciar num percurso de orientação. No final tem um balizamento enorme até a chegada, passando em frente ao telão que mostra as imagens dos atletas em vários pontos do percurso, seguindo para a área de transição, onde deixamos o mapa inicial e temos que pegar o mapa para passar ao próximo colega de equipe. Depois de fazermos nossa parte, podemos acompanhar o desempenho das primeiras equipes a cada ponto de controle monitorado através do telão, com imagens dos atletas na liderança. O final costuma ser decidido na última perna, geralmente com os melhores atletas do ranking mundial fechando para as equipes favoritas. Naquele ano venceu a equipe finlandesa que tinha o francês Thierry Gueorgiou para fechar a competição. Ele iniciou a perna em segundo, mas passou o sueco Emil Wingstedt, da equipe norueguesa que liderava a disputa, num erro mostrado on-line para a plateia. Thierry ficou surpreso e feliz por ser anunciado como líder da prova ao entrar na área de chegada.
Esta é mais uma competição excelente, tanto para participar como para assistir, pois podemos acompanhar vários momentos da prova através do telão com as imagens da disputa entre as principais equipes concorrentes. Atualmente é possível acompanhar esta competição através da transmissão pela internet. Ir ao ÍNDICE
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