29 de mai. de 2021

Manual do Orientista - Dica nr 44

 Dica no 44: Siga um plano de treinamento de corrida.


O plano de treinamento é fundamental para termos sucesso. Talento sem treinamento é inútil. O planejamento começa quando elegemos uma competição alvo, 1 a 4 anos antes do evento. Tudo que for relevante para o evento na parte física, mental, técnica e tática, dita que tipo de treinamento deve ser feito. O esquema básico é como receita de bolo: sempre funciona quando aplicado corretamente. Vários treinadores com curso de educação física são habilidosos na formulação e adaptação do plano de treinamento. 


O ideal é que o planejamento seja individualizado, ou pelo menos dividido em grupos de atletas, de acordo com nível de desempenho aproximado, após a realização de testes de corrida em distâncias diferentes ao início de cada fase do treinamento, para definir os grupos e ajustar a carga de treinamento dentro de cada grupo, ou na transição de uma fase para outra quando o planejamento for individual. Na execução, é importante seguir os princípios do treinamento desportivo, fazendo o planejamento semanal, mensal e anual em uma planilha, de acordo com as competições daquela temporada. 



Existem planilhas baseadas em estudos científicos que ajudam a definir os valores de tempo para executar cada distância dos tiros na pista de atletismo, por exemplo, de acordo com alguns testes feitos na pista ou em percursos marcados com 5, 10 ou 15km.

O programa de treinamento é ajustado aos objetivos específicos das competições alvo, trabalhando com esforços semelhantes aos encontrados nessas competições. No meu caso, as sessões diárias variavam de 40min a 1h30min, com objetivo em percursos médios e longos, variando a intensidade de acordo com o período de treinamento, controlando a sobrecarga ao longo da semana e de uma semana para outra, alternando entre intensidades fortes e moderadas, para que haja uma adaptação adequada, alternando também entre treinamentos contínuos e intervalados, variando os locais de treinamento para não cair em monotonia. Nos treinamentos em campos e bosques é difícil sentir monotonia, mas não é fácil cumprir uma série longa de tiros numa pista de atletismo.

A nível internacional, só é possível estar entre os primeiros colocados com tempo integral para dedicação ao treinamento, além da participação nas provas do Ranking da IOF. A nível nacional, um bom planejamento, com pelo menos 5 sessões de treinamento semanal e participação em todas as provas do estado e algumas nacionais, já garante bons resultados.



Manual do Orientista - Dica nr 43

Dica no 43: Palavras-chave para os esportistas de elite.


 As palavras-chave e frases abaixo são um resumo de entrevistas com atletas de diferentes esportes.

- Atitude

- Entusiasmo e comprometimento

- Pensar no panorama geral

- Planejar com antecedência

- Tomar a responsabilidade

- Atleta 24 horas

- Foco no desempenho

- Análise da performance

- Rotinas pessoais


A elite do esporte hoje é excepcionalmente exigente. Se você quiser ter sucesso a nível nacional, você precisa entender que você quer realmente competir em nível internacional. Você precisa priorizar o que é mais e menos importante. Você tem que "escolher um lado." Eu realmente quero ser campeão nacional ou obter um lugar na equipe nacional, e em algum momento do futuro talvez até mesmo ser campeão mundial? Que consequências há para o resto da minha vida? Ou se eu me tornar campeão do mundo, o que acontece então? O que significa para mim socialmente, para o meu trabalho e minhas finanças?


O diagrama abaixo mostra como um atleta vencedor pensa antes de uma competição importante.



Para aqueles atletas de elite que podem fácil e rapidamente responder à pergunta – Por que ser um atleta de elite? – é muito mais fácil estabelecer metas e planejar o seu caminho para alcançar seus objetivos. O conteúdo do treinamento é muito claro para eles. Ser capaz de responder a essa pergunta cria a determinação de um atleta. A visão de estar no topo do pódio libera a energia que é necessário treinar todos os dias, ano após ano, por 15 a 20 anos. 


Todo mundo quer ganhar a competição. A vitória é um sinal de que seu desempenho foi excelente e que foi o melhor no final. Por outro lado, você pode também ter um ótimo desempenho, perto de sua capacidade máxima, mas ainda assim não vencer a competição. Você ainda é um vencedor por ter dado o melhor que poderia. Num vencedor a performance é concentrada.  
"Picotar" todos os controles, o mais rapidamente possível em um campeonato é uma "vitória" a que todos devemos empenhar-nos. Como um competidor, a única coisa importante a lembrar é que eu posso influenciar-me em muita coisa, os meus adversários muito pouco. Na minha visão e objetivo, que talvez funcione mais como uma fonte de inspiração para a minha performance, eu estou no alto do pódio. Mas antes e durante a competição estou totalmente focado em fazer o meu melhor a cada passo, a cada escolha de rota, a cada ponto de controle. Os pensamentos existem apenas no presente, não no passado ou no futuro – justo agora. A única coisa que posso influenciar é o presente, e eu vou fazer isso com o melhor da minha habilidade. 



Manual do Orientista - Dica nr 42

 Dica nº 42: Aprenda inglês, a língua internacional do esporte.

Se o seu sonho é participar de uma competição internacional, mãos à obra: comece a aprender inglês. Em todas as competições e congressos internacionais a língua comum é o inglês, de modo que todos os participantes possam ter as informações essenciais para o evento. Também na viagem para qualquer país, podemos conseguir informações em inglês, independente da língua oficial. Sabendo inglês, podemos conversar com os organizadores e também com atletas de outros países, mesmo tendo apenas o nível de conversação básico, podendo aproveitar bem a viagem, sem passar vexame. Viajei duas vezes sozinho para a Europa e não tive grandes dificuldades, sabendo bem pelo menos o básico em conversação, ou o correspondente ao nosso inglês avançado. Na Europa a maioria das pessoas tem um conhecimento médio de inglês e falam pausadamente, o que facilita a compreensão. Não se aventure a viajar sozinho sem antes aprender inglês. 


Também podemos tirar melhor proveito de informações que encontramos na Internet em páginas em inglês. Uma ótima página, importante para todo orientista, é a da Federação Internacional de Orientação (www.orienteering.org), com informações dos principais eventos, resultados e regras publicadas. Outra página muito boa é a da Federação Britânica de Orientação (www.britishorienteering.org.uk), onde encontramos, entre outros artigos, o manual de Göran Andersson, técnico da equipe da Suécia, traduzido para o inglês por Jamie Stevenson, chamado “International SQUAD Training Book”, que é um manual técnico bem elaborado, ideal para quem quer ir além das dicas básicas deste livro. Atualmente é possível encontrar outras dicas na aba: “Training & Support”. Ali podemos encontrar vários manuais simples que ensinam como fazer atividades didáticas para iniciantes.

Outra necessidade de saber inglês é para usar programas específicos para fazer mapas, por exemplo. Algumas décadas atrás o programa OCAD tinha somente a versão em inglês, mas já era possível traduzir a caixa de símbolos. Todavia até hoje, mesmo com a versão em português, os arquivos de ajuda e tutorial são em inglês. Desde que comecei a aprender a usar o OCAD, utilizei essas ferramentas em inglês; alguns colegas que não fazem uso disso deixam de aprender as ferramentas novas de cada versão, ou perdem algumas dicas simples, como os atalhos no teclado para os comandos mais repetitivos, onde economizamos tempo na hora de desenhar ou editar o mapa. Quando estive na Suécia recentemente auxiliei um amigo, técnico e mapeador há mais de 30 anos, com os atalhos que ele não conhecia para editar o mapa, atalhos que não conhecia por deixar de ler os tutoriais do OCAD.

Parte deste manual tem conteúdo extraído da internet, de páginas em inglês. Aprenda e aprimore seu inglês para viajar ou aprender mais sobre a orientação internacional pela internet. Acompanhe sempre as notícias da atualidade divulgadas na página da IOF.

 

3 de jan. de 2021

CamBOr Virtual e SAOC Virtual - 2020

 


No ano de 2020 tanto o Campeonato Brasileiro (CamBOr) quanto o Campeonato Sulamericano (SAOC) de Orientação foram realizados apenas no formato Virtual. 

Foi uma iniciativa para manter os orientistas atualizados com as regras da orientação através de um formato de competição lúdica e educativa. 

Para o CamBOr foram feitas 5 etapas, cada uma organizada por uma federação estadual diferente. Os resultados e os formulários com as provas podem ser acessados nos links abaixo:


1ª Etapa: Goiás

2ª Etapa: Rio de Janeiro

3ª Etapa: Paraná

4ª Etapa: Bahia

5ª Etapa: São Paulo



O SAOC foi realizado em dois dias, um dia com o tema de orientação Sprint e outro com o tema orientação de floresta.

SAOC Virtual 2020

5 de jan. de 2019

ICOM 2018 e ISSOM 20XX

A Comissão de Mapas da IOF recebeu um pedido da Comissão de Desenvolvimento Regional e Juventude para produzir um conjunto de símbolos para mapas escolares.


No dia 5 de outubro de 2018 foi realizada em Praga, República Tcheca, a Conferência Internacional de Mapeadores, onde uma das palestras foi sobre este assunto, com Ueli Schlatter, do Comitê de Mapas da IOF.



Foi apresentada a sugestão do Comitê de Mapas da IOF para mapas escolares, baseada na proposta da ISSOM-20xx, que está sendo testada por vários mapeadores e clubes mundo afora. 



Espera-se que em breve seja finalizada a ISSOM-20xx, pois vários retornos foram dados depois da versão preliminar ter sido publicada, e a intensão foi justamente essa, de haver discussão sobre as propostas antes da versão final. 


* Na versão final da ISSOM-2019 não foram incluídos os símbolos para mapas escolares e mapas indoor, entretanto seguem liberadas as recomendações feitas nesta palestra.


Para os mapeadores tem sido bastante útil um grupo no Facebook para mapeadores internacionais, onde há a participação de pelo menos um mapeador que participa do Comitê de Mapas da IOF. Ele tem passado dicas como essas e ajuda a tirar as dúvidas que são perguntadas.

Palestra na ICOM-2018


26 de dez. de 2018

Correções na ISOM 2017-2 e ISSprOM 2019



A Comissão de Mapas da IOF identificou em 2018 alguns erros (ou soluções não muito boas) na ISOM-2017. Por isso fez um trabalho para melhorar a especificação. Como até agora fizeram muitas correções, decidiram publicar um documento de trabalho como está agora. A maioria das alterações é pequena e talvez não tão importante para os competidores, mas outras têm mais impacto em nossos mapas e para os mapeadores. Uma nova revisão do documento padrão atual foi editada e publicada com essas alterações. Com a nova versão revisada, o Conselho de Mapeadores da CBO provavelmente disponibilizou na página da CBO a revisão também na versão em português do Brasil.

De imediato a principal mudança que afeta os mapas para 2019 é que foi removido o novo símbolo 411 para vegetação intransponível, por motivo de qualidade de impressão. Volta a ser usado apenas o símbolo 410.  

Uma novidade em relação à vegetação é que pode ser utilizado um fundo branco com o símbolo de árvore distinta, que eu e alguns outros mapeadores já usavam em casos onde as copas das árvores faziam bastante sombra. Agora pode ser usado apenas para melhorar a visibilidade do objeto especial de vegetação (tanto o círculo verde como o "X" verde) em áreas abertas ou em áreas de floresta com verde. 

Outra mudança que tem importância maior para os mapeadores é que o símbolo 311 (poço ou tanque de água) não precisa mais ser orientado para o norte. Para um tanque de formato retangular ele pode ser orientado na posição em que aparece no terreno. Para um poço de outro formato pode ser posicionado paralelo a qualquer objeto próximo para melhorar a visualização do símbolo no mapa, como por exemplo ser posicionado com a lateral paralela a uma trilha que esteja ao lado.



A Comissão de Mapas da IOF terminou a revisão da ISSprOM-2019 com base nas mudanças da ISOM-2017, válida desde 1º de janeiro de 2020, sendo padrão a escala 1:4.000, podendo o mapa ser ampliado para 1:3.000 em algumas situações.


Este trabalho aproximou mais a versão urbana da versão tradicional, com uma simbologia muito semelhante às dimensões usadas na escala 1:10.000 da ISOM e poucos símbolos adicionais ou muito diferentes. A diferença fundamental está na espessura de linhas, que é ligeiramente diferente.

O importante é que os novatos não perceberão grande diferença ao passar de um tipo de mapa para o outro, exceto é claro pela escala e quantidade de detalhes extras nos mapas urbanos.

Com a possibilidade do aumento da popularidade dos eventos urbanos mais longos que os de Sprint, é possível que as próximas revisões do Comitê de Mapas da IOF (daqui a 10 anos) levem a uma versão comum para os dois padrões existentes, a menos que os critérios técnicos de impressão não o permitam. 


O Conselho de Supervisão de Eventos aprovou uma versão atualizada das regras de competição para os eventos de Orientação Pedestre da IOF. 

Essas novas regras são válidas a partir de 1º de janeiro de 2019, com algumas mudanças a destacar:


A inclusão de regras para o formato Knock-out Sprint, que será incluído no Campeonato Mundial de Orientação (WOC) a partir de 2021.

A Assembleia Geral aprovou alterações ao programa dos Campeonatos Mundiais de Orientação Júnior (JWOC), incluindo um Revezamento de Sprint e a remoção do percurso de qualificação de Distância Média.



Regras de participação e qualificação para as competições do Campeonato Mundial de Orientação, com o novo modelo WOC que foi introduzido a partir de 2019.



Uma série de regras atualizadas sobre o Campeonato Mundial de Orientação de Masters (WMOC) com base na experiência do evento do verão passado, onde a corrida Final de Distância Média foi introduzida pela primeira vez. Por exemplo, regras atualizadas para as qualificações do WMOC e escalas de mapa revistas para a competição de Sprint do WMOC.


Regras atualizadas e a inclusão de novas regras para vários campeonatos regionais de orientação. 

Estas mudanças para 2019 terão efeito apenas para quem for participar de eventos internacionais, e para os eventos da CBO válidos para o ranking da IOF (World Ranking Event) e para o Campeonato Sulamericano de Orientação. Por isso, algumas mudanças como aparecem nas regras da IOF para 2019  não dependem da versão atual das Regras da CBO para Orientação Pedestre ou de revisão na próxima Conferência das Federações. As mudanças nas provas de Sprint para 2019 afetam mais as provas do WOC, para o Campeonato Brasileiro de Sprint vai ser conforme o regulamento que foi divulgado pela CBO.

O interessante é que para o Campeonato Sulamericano de Orientação já está nas regras da IOF que os percursos longos serão feitos com mapas na escala 1:10.000 para todas as categorias, a exemplo dos demais campeonatos regionais fora da Europa, fiscalizados pela IOF.
 
Para os campeonatos estaduais está permitido o uso da escala 1:7.500 para todas as categorias, e não apenas para categorias de veteranos e crianças



8 de mar. de 2018

MANUAL DE TI DO ESPORTE ORIENTAÇÃO

Este manual foi feito por Daniel Mayoral Barea com a ajuda da Federação Espanhola de Orientação, baseado nos cursos ministrados por ele sobre o uso de software livre na cartografia e de novas tecnologias voltadas para o esporte de orientação.

É um projeto real e eminentemente prático no qual todas as etapas a serem seguidas são realizadas do início ao fim, a fim de aprender de maneira básica, simples e direta o uso de software livre e gratuito usado para mapear, rastrear, tomar tempo e analisar um percurso de orientação.

As ideias básicas para o gerenciamento do software são dadas, mas não é ensinado a mapear ou a digitalizar. Cabe à curiosidade do leitor experimentar mais com as ferramentas para ampliar o conhecimento e ser instruído com outros cursos ou documentos. Em qualquer caso, o manual indicará como expandir os conteúdos e conhecimentos necessários.

Ele ensina a baixar a fotografia de satélite de uma área real, prepará-la para uso com o software de cartografia, mostra trabalhos de campo cartográficos com um celular ou tablet, indica como desenhar o mapa e transferir para o software de traçado de percursos, como imprimir o mapa e passar o percurso com códigos QR em um Smartphone. Mostra a análise de percurso com a rota do GPS.

Este manual é dirigido a qualquer orientista, professor de educação física, técnico, mapeador ou traçador de percursos que pretenda ser autossuficiente para iniciar um mapa do zero, usando software livre e gratuito até o percurso e análise subsequente. Não é necessário conhecimento prévio das tecnologias.

Ele não é um manual completo sobre o uso do Open Orienteering Mapper, mas traz várias dicas interessantes sobre o uso prático desta ferramenta.

Fiz uma tradução bastante literal do manual em espanhol, adicionando apenas alguns comentários e links usados no Brasil. A intenção é divulgar as opções disponíveis que os mapeadores e traçadores de percurso podem usar, além de alguns tipos de controle de tempo no percurso que podem ser aplicados nos treinamentos de iniciantes.

Versão em português(br):

Original em espanhol: