22 de mar de 2014

Manual do Jovem Orientista - Dica nr 37.

Dica no 37: Orientação em Montain Bike.

A Orientação em Montain Bike (MTB-O) é um esporte no qual o competidor, usando bicicleta, tem que passar por pontos de controle, marcados no terreno, no menor tempo possível, auxiliado por mapa e bússola.  Em MTB-O o elemento decisivo é a habilidade de navegação do competidor, como ocorre na orientação em esqui, onde o foco principal é a escolha de rotas em alta velocidade. Não é permitido o uso de aparelhos de navegação por GPS nas competições. O percurso não deve passar por obstáculos verticais intransponíveis como barrancos, penhascos, muros não transponíveis com a bicicleta e vias asfaltadas com transito intenso de veículos a motor. O ciclista deverá completar o percurso montando, levando ou empurrando a sua bicicleta. Os pontos de controle são sempre localizados nas trilhas, assim os participantes nunca podem abandonar a sua bicicleta. As rodas da bicicleta não podem tocar no solo fora de trilha; se abandonar a trilha o competidor terá de transportar a bicicleta com ambas as rodas no ar. 

É permitido carregar ferramentas e peças sobressalentes, mas durante as competições só é permitido usar aquelas carregadas pelo próprio competidor ou por outro participante da prova, sendo permitida a troca de peças e ferramentas entre eles, entretanto não é permitida ajuda externa, e os competidores devem terminar a prova com a mesma bicicleta que iniciaram. É obrigatório o uso de capacete, como equipamento de proteção. Como nas demais formas de orientação, é dever de todos os participantes ajudar os competidores feridos em algum acidente. 

O mapa para MTB-O possui características próprias, conforme padrão definido pela IOF, podendo ser confeccionado a partir de mapas de orientação pedestre, mas com uma legenda suplementar para classificar as trilhas quanto à sua largura e transitabilidade, assim como outras características peculiares.  A escala pode variar entre 1:5.000 a 1:20.000, conforme a distância do percurso, preferencialmente para ajustar até o tamanho A4. Normalmente é utilizado um suporte especial para o mapa, que é fixado ao guidão e pode girar para orientar o mapa. A bússola é de livre escolha do competidor, sendo mais comum o uso de algum tipo preso à mão. O cartão de controle ou cartão do sistema de picote eletrônico deve estar conectado à bicicleta, através de um cordão retrátil ou qualquer outro tipo de cordão, de modo que não seja removido da bicicleta durante o evento.

A MTB-O é uma modalidade de competição própria do esporte orientação, regulada e dirigida em nosso país exclusivamente pela Confederação Brasileira de Orientação, principalmente no que se refere a suas regras, formatos de competição e provas a nível nacional. Em vários países a MTB-O está bem difundida, inclusive com grande número de competidores exclusivos da modalidade. É possível envolver ciclistas de outras provas, como os de esporte de aventura, por exemplo, desde que as regras e formatos das competições de MTB-O sejam observados.

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16 de mar de 2014

Manual do Jovem Orientista - Dica nr 36.


Dica no 36: Orientação de Precisão – Esporte para todos. 



Orientação de Precisão é uma das quatro disciplinas da orientação internacional, as outras três são Orientação Pedestre, Orientação em Esqui e de Mountain Bike. Originalmente desenvolvida a partir da disciplina de orientação pedestre, a Orientação de Precisão é uma forma de esporte em que os competidores estão limitados a seguir por caminhos e trilhas, e fazem julgamentos sobre prismas colocados em objetos no terreno. Assim, a competição física é eliminada para permitir a participação de competidores com mobilidade reduzida, incluindo aqueles em cadeiras de rodas.


A Orientação de Precisão é aberta a todos, independentemente do sexo, idade ou a mobilidade física. Muitos orientistas ativos e experientes podem participar na Orientação de Precisão e beneficiar-se de várias maneiras. Eles acham que melhora suas habilidades de leitura de mapas e reconhecimento do terreno para a competição em orientação pedestre. Aqueles que fazem mapas encontram ajuda com detalhes de interpretação do terreno. Aqueles que organizam e planejam grandes eventos encontram ajuda na colocação de prismas e nas descrições de pontos de controle. E se estes benefícios específicos não forem motivo suficiente, há outra razão que incentiva orientistas experientes para participar na Orientação de Precisão. Eles são atraídos pelo desafio intelectual que a disciplina oferece.

Orientação de Precisão permite a igualdade de competição entre pessoas com boas condições físicas e outras com mobilidade reduzida, incluindo aqueles com deficiência física severa. É um dos poucos esportes em que a competição desse nível pode ter lugar. O órgão regulador, a Federação Internacional de Orientação (IOF), está consciente do valor dessa competição e tem o cuidado de garantir a sua imparcialidade e qualidade.

Embora a competição de desempenho físico esteja ausente nesta disciplina, ela tem lugar ao ar livre, percorrendo certa distância em terreno que nem sempre é plano. Então, algum esforço físico é necessário para completar o percurso, mas ajuda física é fornecida, quando necessário, para aqueles em cadeiras de rodas de propulsão manual. 

À medida que os competidores se movem ao longo do percurso, eles encontram problemas de orientação que devem ser resolvidos pela leitura cuidadosa do mapa de orientação e combinando-o para as características do terreno. A nível de iniciação os problemas propostos não são complicados e não é essencial ter experiência anterior com a orientação. Em níveis mais elevados de participação, o uso das técnicas de orientação é mais e mais colocado em jogo, e ao mais alto nível em competição internacional, os percursos são extremamente desafiantes e requerem competências técnicas normalmente além daquelas necessárias para a orientação pedestre. Também existem pontos de controle especiais onde um árbitro cronometra o tempo de decisão, que será utilizado como critério de desempate.

Quando a Orientação de Precisão foi originalmente concebida para os competidores com deficiência, era necessário que o foco da atenção estar em incentivar a participação destes. Isto inicialmente deu origem a um equívoco comum que a competição estava confinada a pessoas com deficiência física. Agora é amplamente compreendido que não há essa restrição com a Orientação de Precisão, sendo aberta a todos. Hoje a maioria dos participantes na Orientação de Precisão é fisicamente capaz, com uma ampla gama de experiência e habilidade, incluindo até campeões do mundo de orientação pedestre, todos atraídos por seu desafio técnico específico.

O Campeonato Mundial de Orientação de Precisão (WTOC), realizado pela primeira vez em conjunto com o Campeonato Mundial de Orientação (WOC) na Suécia em 2004, está aberto a todos os interessados (desde que sejam selecionados por suas federações nacionais), independentemente da idade, sexo ou habilidade física. Há também uma categoria "Paraolímpicos", que é fechada e restrita a pessoas com deficiência física, e com aprovação medicamente certificada pela IOF.

Aqueles que entram na Orientação de Precisão com experiência de orientação pedestre têm pouca dificuldade na adaptação para o formato. Os mapas são os mesmos, a linguagem é a mesma e os problemas a serem resolvidos, embora diferentes em alguns aspectos, pertencem claramente à orientação que eles conhecem. A Comissão de Orientação de Precisão da IOF, responsável pela manutenção e desenvolvimento da disciplina, está bem ciente da necessidade de manter esta forte ligação com a orientação pedestre, de modo que as duas versões do esporte possam evoluir. Ainda temos poucos eventos no Brasil, mas é uma modalidade que todos os orientistas devem experimentar quando disponível.


Mediterranean Open Championship Orienteering 2014


Sabine Hauswirth e Daniel Hubmann - reis da 10a edição do Campeonato Mediterrâneo Aberto de Orientação 2014 na Toscana. 


O sueco Jonas Leanderson havia vencido a primeira etapa de Sprint por uma diferença de 6 segundos. Mas Daniel Hubmann venceu a etapa de distância média 24 segundos à frente de Jonas, e seu compatriota suíço Matthias Kyburz foi o terceiro. Na etapa final, Kyburz venceu o percurso, com o inglês Scott Fraser em segundo, Hubmann terceiro garantiu a vitória geral na soma dos tempos.


Na competição feminina destacaram-se a dinamarquesa Maja Alm e as suíças Judith Wyder e Sabine Hauswirth, sendo esta a vitoriosa na soma final das três etapas com 56:26, depois de ter vencido a segunda etapa.


Resultados:
Dia 1 - Montecatini

Dia 2 - Cecina

Dia 3 - Firenzi


Página do evento.

9 de mar de 2014

Manual do Jovem Orientista - Dica nr 35

Dica no 35: Orientação não é esporte radical. 

Apesar de algumas competições de esporte de aventura terem provas que utilizam bastante orientação, nosso esporte não se enquadra nos esportes radicais, devido às suas formas de prática e tempo de duração da competição. Existe uma modalidade de orientação chamada de Rogaine ou maratona de orientação, praticada em alguns países da Europa, que consiste de uma prova de dois dias com bivaque no terreno, mas não é uma modalidade controlada pela IOF. As provas oficiais de orientação utilizam mapas mais precisos e seguem regras bem definidas em regulamentos nacionais. 
  
Na orientação, também temos aventuras, de acordo com as áreas, mas os riscos de acidentes são bem menores. Nos eventos de vários dias consecutivos, o tempo de competição de cada dia não passa de duas horas, para os que levam mais tempo para completar. A prova ao estilo de maratona de orientação é prevista para 2h 40min para o vencedor da categoria Elite; para as demais categorias o tempo do vencedor deve ser menor que duas horas. Na Europa as demais categorias partem depois da chegada dos primeiros da Elite, depois de assistirem as trocas de mapa e o desenrolar da competição, acompanhando pelo telão na área de chegada. 


Os orientistas podem competir bem nas provas de corrida de aventura, devido ao condicionamento físico e conhecimento técnico. Luís Antônio Barbosa, que foi da Equipe do Exército e chegou a participar de um Campeonato Mundial Militar, fez parte de uma das melhores equipes de corrida de aventura do Brasil, competindo até na Expedição Mata Atlântica e no desafio do Eco Challenge, conseguindo excelentes resultados. 

Em 1991 participei de uma prova organizada pela Escola Naval, o 1o Raid Naval, que tinha 800m de natação no mar, um percurso de orientação, canoagem de uma ilha até o continente, percurso de montanhismo, subindo por um córrego numa encosta íngreme e descendo a encosta por trilha estreita, fechando com mais 5 km de corrida de rua. Foi uma prova em duplas, que venci com José Ferreira de Barros, orientista da Marinha, em cerca de 7h de duração, mais uma prova extra de orientação noturna.

Somente ao final da década de 90 começaram a ser organizadas provas de esporte de aventura com maior frequência, mas nessa época não tive muito interesse por causa de meu envolvimento constante com a orientação e falta de tempo disponível para um treinamento adequado. Pessoalmente não sou muito favorável a provas extremas, que exigem esforços próximos ao nosso limite por um longo período de tempo. Parabéns aos que se preparam e completam essas provas! Para mim, uma maratona típica, com tempo até próximo de três horas, já é um grande esforço, que pode ser completado sem tanta dificuldade, de acordo com o treinamento, trazendo satisfação na sua realização. Provas em dias seguidos, com tempo adequado de recuperação são bem aceitáveis, mas desafiar nossos limites ao extremo é muito radical.

7 de mar de 2014

Manual do Jovem Orientista - Dica nr 34

Dica no 34: As mulheres devem executar um treinamento diferenciado.

O treinamento físico feminino é diferente do masculino, tanto na intensidade quanto no volume. Os fundamentos utilizados são os mesmos, mas a individualidade biológica é um fator importante a ser considerado, embora as mulheres tenham a mesma disposição para o treinamento que os homens. Eu já treinei com algumas corredoras de fundo, como Márcia Narloch, ouro na maratona dos Jogos Panamericanos de 2003 e prata em 2007, que tinha um condicionamento físico excelente, que foi adquirido após anos de treinamento específico, sempre fazendo um treinamento adequado ao período em que estava dentro da temporada. Eu só superava o desempenho dela no período em que tinha tempo integral para treinar. Quando tinha apenas meio-período para treinamento, conseguia apenas igualar o desempenho. Se o treinamento não estivesse adequado, eu ficava para trás. Nos treinamentos intervalados eu conseguia acompanhar bem  a intensidade dos tiros, mas sofria para recuperar com intervalo curto. 

Na orientação o treinamento técnico deve ser o mesmo dos homens, inclusive, em muitos eventos nacionais, elas executam o mesmo tipo de percurso de algumas categorias masculinas. Mas esses percursos devem estar adequados ao condicionamento físico e técnico da categoria feminina a que está sendo aplicado. Um percurso bem traçado é aquele em que as primeiras mulheres façam tempo semelhante ao dos primeiros homens, para categorias de idade e grau de dificuldade semelhantes. As mulheres devem fazer percursos adequados à condição física em que estão naquela temporada. No aprendizado, as técnicas ensinadas são as mesmas, a diferença deve ser apenas na distância dos percursos.  


Na Força Aérea, a participação feminina na orientação começou em 1996, quando as primeiras mulheres foram para a Academia da Força Aérea (AFA). Em 1997 eu preparei um mapa para a NAVAMAER e ajudei a montar uma competição interna com a participação feminina. Nossas melhores atletas, Lislaine Link e Ana Paula Littig, que foram campeãs brasileiras, começaram a orientação na AFA em 1998. Aprenderam orientação treinando junto com os homens, geralmente nos mesmos percursos, normalmente chegando depois dos primeiros, mas na frente de vários homens do clube de orientação. No treinamento físico elas corriam juntas. Participaram das provas do Campeonato Paulista e do Campeonato Brasileiro da CBO, estando sempre entre as primeiras da categoria feminina. Em 1999 elas participaram como atletas reservas da equipe da AFA na NAVAMAER realizada em Resende-RJ pela AMAN, completando os mesmos percursos dos demais cadetes. 

Eles competiram em mapa e percursos que eu preparei, a convite do Capitão Gilvan Alves Flores, que era instrutor e técnico da equipe da AMAN. A partir de 2000 a CDMB colocou a categoria feminina em seu Campeonato, graças aos insistentes pedidos da então Tenente Carla Clausi, do Exército. Em 2001 nossas cadetes puderam participar, onde Lislaine venceu a competição e Litig foi a segunda colocada. Lislaine foi campeã quatro vezes no Campeonato das Forças Armadas (CAMORFA), de 2001 a 2008, e venceu três vezes o Campeonato Brasileiro da CBO (CAMBOR), na categoria Elite feminina. A Littig foi campeã em 2002 e 2004 no CAMORFA.



Depois disso, outras atletas passaram a se destacar por uma melhor capacidade de corrida, além da boa qualidade técnica, como Wilma Barbosa de Souza (que aparece na foto da capa desta edição), também da FAB, que foi a campeã do CAMBOR de 2006 e Sul-Americano de 2009, e Juliana Dummel, do Exército, campeã do CAMORFA e CAMBOR de 2007. Isto aumentou mais a disputa no segmento feminino, incentivando a melhora no condicionamento físico, que não estava tanto em evidência como ocorre entre os homens. 

Para os V Jogos Mundiais Militares, realizados no Rio de Janeiro em 2011, foram convocadas pela Marinha as melhores atletas da Elite que ainda não eram militares. Com esse reforço, foi da equipe feminina a primeira medalha do Brasil no Campeonato Mundial Militar de Orientação, com o 3º lugar na prova de revezamento dos V Jogos Mundiais Militares. Foi uma disputa emocionante, depois de receber na 5a posição, Wilma passou na 3a no ponto de espectadores, e ao final da última perna finalmente surgiu após a 2a colocada. 


Houve uma grande comemoração com a conquista dessa medalha de bronze, com toda delegação brasileira e o público presente. Foi impossível para a locutora do evento, Carla Clausi, conter a emoção ao ver uma equipe feminina brasileira ganhando a primeira medalha no Mundial do CISM, sendo ela uma das precursoras da participação feminina nos Campeonatos Brasileiros das Forças Armadas. Momentos depois da grande comemoração inicial, a Sargento Wilma veio abraçar a Major Carla, e emocionada agradeceu por esta ter aberto a porta para a participação feminina na orientação das Forças Armadas, dando exemplo e incentivando esta conquista dessa nova geração. 

5 de mar de 2014

Manual do Jovem Orientista - Dica nr 33

Dica no 33: As crianças merecem atenção especial.


A idade recomendada para execução de percursos de orientação para crianças é a partir de 8 anos de idade. Mas podemos começar a ensinar as técnicas básicas antes disso, de preferência sendo acompanhadas por um adulto. As crianças podem aprender a manusear um mapa de orientação antes mesmo de aprender a ler, pois o mapa é baseado em outros símbolos gráficos. 

O aprendizado deve ser progressivo, iniciando com mapas mais simples, em áreas conhecidas, passando para mapas mais detalhados aos poucos, até chegarmos a mapas de áreas novas, onde são realizadas as competições. Para deixarmos crianças executarem percursos sozinhas, é necessário que tenham aprendido o básico e já possuam autoconfiança. A dificuldade de percurso deve ser adequada ao nível técnico delas. Alguns organizadores superestimam o nível de dificuldade, traçando percursos muito difíceis, podendo desestimular os iniciantes. O nível de dificuldade deve seguir as recomendações da CBO, sempre com a visão de tornar a orientação um esporte interessante e sem riscos de acidentes ou ferimentos graves. Não é interessante que as crianças levem muito mais que uma hora na realização de um percurso qualquer. As dificuldades vão aumentando com o aprendizado, à medida que atingem idade maior e há mudança de categoria.  

A CBO recomenda que todos os iniciantes façam um curso de iniciação esportiva, com o objetivo adaptar o indivíduo ao meio natural, desenvolver a habilidade de usar corretamente a bússola, controlar a distância percorrida e desenvolver o senso de orientação, requerendo para isto um instrutor capacitado. A primeira fase da iniciação esportiva é a instrução mínima que um atleta deve realizar para ser filiado na CBO, tendo adquirindo o conhecimento básico para a prática do esporte, estando apto a participar individualmente de uma competição de orientação.

Para completar esses passos é importante o envolvimento com um clube de orientação que proporcione a instrução adequada e completa, capacitando o novo orientista para a realização dos percursos conforme sua idade e categoria.


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4 de mar de 2014

Portugal O' Meeting 2014

Thierry Gueorgiou e Simone Niggli os grandes vencedores


Com a participação de mais de 1600 atletas, chegou ao fim o Portugal O' Meeting 2014. Na única etapa de Distância Longa desta edição, Thierry Gueorgiou e Simone Niggli foram os primeiros a partir... e a chegar!

Está dada por concluída a 19ª edição do Portugal O' Meeting, a mais importante prova do calendário regular nacional de Orientação Pedestre. A organização – a cargo do CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida e da Câmara Municipal de Gouveia – reservou para este último dia uma etapa de Distância Longa, revisitando alguns dos mais emblemáticos pontos dos dias anteriores, numa mescla perfeita de complexidade técnica e exigência física.

As partidas em sistema de 'chasing start' apresentavam à partida vantagens confortáveis para os líderes dos escalões de Super Elite Masculina e Elite Feminina, respetivamente Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) e Simone Niggli (OK Tisaren), de tal forma que só um cataclismo poderia ditar uma reviravolta na classificação final. E se é verdade que os cataclismos acontecem – que o diga a própria Simone Niggli, apenas 8ª classificada na etapa anterior -, isso não sucedeu na etapa de hoje e ambos os atletas foram mesmo os mais rápidos, ampliando as suas vantagens ante a concorrência.

Na Super Elite masculina, Thierry Gueorgiou foi o único atleta a baixar da uma hora e vinte de prova, cumprindo os 13,9 km do seu percurso em 1:19:47. A segunda posição coube ao suiço Andreas Rüedlinger (Leksands OK), com mais 2:21, enquanto o terceiro lugar foi para o checo Jan Petrzela (OK Kare), com um registo de 1:22:12. Com os resultados apurados na derradeira etapa, Thierry Gueorgiou confirmou a liderança e venceu o Portugal O' Meeting pela quarta vez (terceira consecutiva). Mas foi possível assistir a verdadeiras “cambalhotas” na classificação, da sensacional subida de Andreas Rüedlinger do 17º lugar para o 6º no final, ao “trambolhão” do sueco Oskar Sjöberg (OK Linné), da 4ª posição para um lugar fora do top-10.

Oitavo classificado na etapa inaugural, Jan Prochazka foi subindo paulatinamente na classificação até alcançar o segundo lugar no final. Algo que o atleta comenta desta forma: “Fiquei surpreendido com meu resultado no final da primeira etapa, mas penso que os jovens Suecos começaram muito fortes e fizeram um bom trabalho. Não estive nos primeiros lugares desde o início, mas após as duas etapas de Distância Média penso que consegui o segundo lugar por uma margem tranquila e acreditei que seria possível guardar essa vantagem.”

Na prova feminina, Simone Niggli (OK Tisaren) esteve de novo em grande plano, fazendo uma grande prova no tempo de 1:14:46 para 10,5 km de prova. A sueca Annika Billstam (OK Linné) viria a conseguir o segundo melhor tempo, gastando mais um minuto e meio que a vencedora, enquanto a terceira posição na etapa coube à finlandesa Riina Kuuselo (Tampereen Pyrintö), redimindo-se aqui das prestações menos conseguidas nas etapas anteriores e terminando a 2:11 da vencedora. No cômputo geral das quatro etapas, Simone Niggli foi a grande vencedora, o que sucede pela quinta vez consecutiva e pela sexta vez em termos gerais (a atleta venceu o seu primeiro POM no início da sua brilhante carreira, em 2002).

Vencedora da etapa pontuável para o ranking mundial disputada ontem, Maria Magnusson (Sävedalens AIK) soube segurar a segunda posição, concluindo no final a pouco mais de dez minutos da vencedora. Campeã do Mundo junior de Distância Longa e Vice-Campeã do Mundo de Distância Média em título, a muito jovem sueca Lisa Risby (OK Kare) merece igualmente o título de estrela deste Portugal O' Meeting, ao subir cinco lugares na etapa derradeira, quedando-se num honroso terceiro lugar. 



Resultados Finais

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 3:16:26
2. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 3:33:26 (+17:00)
3. Hannu Airila (Kalevan Rasti) 3:35:31 (+19:05)
4. Olli-Markus Taivanen (Pellon Ponsi) 3:39:45 (+23:19)
5. Jakob Lööf (MOKS) 3:41:14 (+24:48)
6. Andreas Rüedlinger (Leksands OK) 3:41:36 (+25:10)
7. Jan Petrzela (OK Kare) 3:41:54 (+25:28)
8. Andreu Blanes (Colivenc) 3:42:59 (+26:33)
9. Rassmus Andersson (OK Linné) 3:43:44 (+27:18)
10. Lauri Sild (Hiidenkiertäjät) 3:48:58 (+32:32)

Damas Elite
1. Simone Niggli (OK Tisaren) 3:25:58
2. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) 3:36:15 (+10:17)
3. Lisa Risby (OK Kare) 3:43:45 (+17:47)
4. Annika Billstam (OK Linné) 3:43:55 (+17:57)
5. Karoliina Sundberg (Lynx) 3:43:57 (+17:59)
6. Ulrika Uotila (Koovee) 3:44:12 (+18:14)
7. Outi Ojanen (Kangasala SK) 3:44:17 (+18:19)
8. Riina Kuuselo (Tampereen Pyrintö) 3:44:36 (+18:38)
9. Kristin Lofgren (Varegg) 3:51:57 (+25:59)
10. Anna Nähri (IFK Göteborg) 3:54:48 (+28:50)


Tudo para conferir em http://www.pom.pt/pt/

3 de mar de 2014

Portugal O-Meeting 2014

POM 2014: Thierry Gueorgiou e Simone Niggli entram com o pé direito


Começa a não ser fácil encontrar um título para as provas de orientação de nível internacional em Portugal que não inclua os nomes de Thierry Gueorgiou e Simone Niggli. Tem sido assim nos anos mais recentes, foi assim igualmente no fim de semana passado e a história volta a repetir-se na etapa inaugural do Portugal O' Meeting 2014. Num terreno muito técnico, os dois atletas souberam melhor que ninguém pôr em campo as suas enormes qualidades, demonstrando uma vez mais o porquê de serem os líderes do ranking mundial.


Tierry segue com larga vantagem na liderança do evento. Apesar de ter errado muito no início do percurso 3, Simone Niggli segue na liderança da disputa feminina, as outras competidoras também tiveram dificuldades em algum percurso. O dia ruim de Maria Magnusson foi o primeiro, com 10 minutos de diferença para Simone. 

Resultados Dia 1

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 45:58
2. Oskar Sjöberg (OK Linné) 49:15 (+3:17)
3. Erik Ivarsson Sandberg (IFK Lidingö) 50:14 (+4:16)
4. Albin Ridefelt (OK Linné) 50:27 (+4:29)
5. Lauri Sild (Hiidenkiertäjät) 50:42 (+4:44)

Damas Elite
1. Simone Niggli (OK Tisaren) 49:29
2. Annica Gustafsson (IFK Lidingö) 50:44 (+1:15)
3. Annika Billstam (OK Linné) 50:46 (+1:17)
4. Helena Karlsson (IFK Lidingö) 52:49 (+3:20)
5. Kristin Lofgren (Varegg) 53:38 (+4:09)

Resultados Dia 2

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 35:55 
2. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 38:20 (+2:25)
3. Andreu Blanes (CEColivenc) 38:58 (+3:03)
4. Hannu Airila (Kalevan Rasti) 39:23 (+3:28)
5. Antonio Martínez Pérez (CEColivenc) 40:23 (+4:28)

Damas Elite
1. Simone Niggli (OK Tisaren) 40:19 
2. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) 42:32 (+2:11)
3. Outi Ojanen (Kangasala SK) 42:56 (+2:37)
4. Henna-Riikka Haikonen (AnttU) 43:16 (+2:57)
5. Emily Kemp (PFU) 43:38 (+3:19)


Resultados Dia 3

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 34:46 
2. Albin Ridefelt (OK Linné) 36:25 (+1:39)
3. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 37:28 (+2:42)
4. Hannu Airila (Kalevan Rasti) 38:15 (+3:29)
5. Oskar Sjöberg (OK Linné) 38:17 (+3:31)

Damas Elite
1. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) 34:50 
2. Annica Gustafsson (IFK Lidingö) 38:38 (+3:48)
3. Helena Karlsson (IFK Lidingö) 39:09 (+4:19)
4. Marttiina Joensuu (SK Pohjantähti) 39:56 (+5:06) 
5. Jannina Gustafsson (SK Uusi) 40:08 (+5:18)
8. Simone Niggli (OK Tisaren) 41:24 (+6:34)


Manual do Jovem Orientista - Dica nr 32

Dica no 32: Registre as competições e treinamentos realizados. 


O principal troféu do orientista é o mapa de cada prova. Além de traçarmos nosso itinerário, é interessante guardarmos em pastas, anotando a data, tempo realizado e o tempo do vencedor. Tenho muitos mapas com o itinerário marcado, mas não separei em pastas e agora tenho uma caixa grande cheia de mapas, muitos sem as informações básicas de realização. Tenho em minha memória várias informações sobre aqueles percursos, mas ficaria muito melhor se tivesse organizado desde o início. Vários colegas têm feito pastas para guardar desde os primeiros mapas, e assim ficam muito bem organizados e disponíveis com maior facilidade de consulta. 

Além da organização dos mapas é interessante anotarmos numa planilha as competições e treinamentos realizados, colocando os dados de local, tipo de percurso, quantidade de pontos, distância, tempo realizado e colocação. Eu fazia isto quando anotava meus dados de treinamento em diário. Os diários são interessantes para ver o resultado do treinamento progressivo. Parei de anotar no início da década de 90, depois de ter realizado mais de 300 percursos. É bem provável que tenha atingido a marca de 1.000 percursos realizados, contando os treinamentos, mas não sei quando isso ocorreu. 

É interessante registrarmos também os resultados de outros tipos de competições, como de corrida de rua ou em pista de atletismo. Os registros dos tempos em corridas com distância aferida são importantes para avaliarmos o desenvolvimento ao longo de cada temporada e de uma temporada para outra.
Uma alternativa é guardar as informações num computador, gravando em mídia após certo tempo. Podemos usar os recursos de arquivamento no computador, digitalizando os mapas com as rotas traçadas e anotando os resultados em tabelas, além de incluir as fotos de cada evento.

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2 de mar de 2014

Veja no ORIENTOVAR

ATLETA DO MÊS: ANDREU BLANES, UM ESPANHOL NA ALTA RODA


Estou com os meus companheiros. Treinámos durante a manhã e acabámos de comer. Agora é tempo de pausa à espera do treino da tarde que irá ser num terreno de bosque muito fechado e com detalhe rochoso, tal como no WOC 2011. Será uma partida em massa, seguramente. Enquanto aguardamos e descansamos, jogamos às cartas. Tenho uma mão cheia de cartas boas. Esta rodada é minha!” Um exercício simples, um apelo à imaginação e uma resposta que diz muito daquilo que é o atual líder do novíssimo Ranking Mundial de Sprint. 
Falamos de Andreu Blanes Reig, espanhol de Onil, Alicante, onde nasceu há 22 anos atrás. Um atleta que respira Orientação por todos os poros e cujo pensamento na vitória é uma constante. Mesmo em momento de pausa. Mesmo num jogo de azar!

Nome: Andreu Blanes Reig
País: Espanha
Disciplina: Orientação Pedestre
Pontos altos: 31º lugar na Distância Média (WOC 2013, Vuokatti), 24º lugar no Sprint (WOC 2012, Lausanne), 14º lugar na Estafeta (WOC 2013, Vuokatti), Vice Campeão do Mundo Júnior de Sprint (JWOC 2011, Rumia-Wejherowo)
Posição no Ranking Mundial: 64º (em 31/12/2013)
Posição no Ranking Mundial de Sprint: 1º (provisório)


1 de mar de 2014

Manual do Jovem Orientista - Dica nr 31

Dica no 31: Atenção com o picote eletrônico.


O sistema eletrônico facilita bastante a apuração e permite o controle de tempo em cada ponto. São necessários alguns cuidados especiais. O primeiro deles é o de não perder o e-card ou plaqueta; em eventos de mais de um dia, guarde com cuidado para o dia seguinte, até a devolução. Atualmente, os sistemas homologados pela IOF são EMIT e SPORTident. Esses sistemas são muito bons e resistentes. A vantagem do EMIT é que tem um papel para backup, caso alguma base tenha pane de gravação (pouco comum ocorrer quando as bases são novas). Em caso de erro do competidor, como o de não limpar os dados da plaqueta antes da partida, a plaqueta não registrará nenhum dos pontos de controle, mas ficará marcada no backup a passagem pelos pontos de controle, que poderá ser confirmado com outro backup da mesma categoria. O tempo será tirado pela apuração manual, obrigatória como backup da apuração eletrônica, justamente para erros como este que podem ocorrer. Se o competidor deixar de marcar um ponto de seu percurso, marcando um ponto de outra categoria, ficará faltando a perfuração do ponto correto em seu backup. 

O SPORTident não possui papel de backup, por isso é importante ter mais atenção para limpar os dados do chip antes da partida. Na partida fazemos dois procedimentos: o primeiro é limpar os dados do e-card, geralmente ao entrarmos na área de partida 3 ou 4min antes, e o segundo é checar na última posição 1 ou 2min antes da partida. 
Este sistema possui um sinal sonoro na base, que apita quando marcamos o ponto de controle, além de uma lâmpada que pisca. Se não ouvirmos o apito e a lâmpada da base não estiver acendendo, devemos usar o picotador comum que fica ao lado da base do SPORTident e picotar aquele ponto em nosso mapa. Este é o backup que temos em caso de falha em alguma base. 

Quando usamos o sistema eletrônico não temos o cartão de controle para conferir os pontos que já marcamos, por isso não podemos descuidar da sequência dos pontos no mapa, nem pularmos nenhum ponto de controle. Não é comum repetirmos os mesmos erros, mas sempre há oportunidade para cometermos erros que nunca ocorreram conosco. No percurso médio do Campeonato Mundial na Croácia, o ponto 3 ficava a cerca de 100m do ponto 2, apenas para evitar a formação de ângulo agudo. Após marcar o ponto 2, eu notei apenas uma linha grande para o ponto seguinte, que era para o 4, e esqueci de marcar o ponto 3, que não tinha linha ligando. Fui saber do erro após a chegada, quando fui desclassificado pela falta de marcação de um ponto de controle.

Outro erro comum que pode ocorrer em qualquer percurso, é o de posicionarmos a bússola um ponto adiante do que estamos. Este erro é mais comum em área “branca”, onde demoramos mais para identificar as diferenças do mapa com o terreno. No percurso médio do Campeonato Mundial na Holanda, após marcar o ponto 5, eu posicionei a bússola do ponto 6 para o 7. Foi a primeira vez que isto aconteceu comigo, já com 20 anos de prática. A diferença de azimute não era muito grande, cerca de 30 graus, mas quando cheguei na distância prevista, os detalhes do mapa não estavam batendo, então percebi o erro: eu tinha que ir para o ponto 6 e o mapa estava dobrado para o ponto 7. Posicionei a bússola na direção real que tinha seguido, medi a distância que tinha percorrido e dali mesmo fui para o ponto correto, após identificar um novo ponto de ataque, mas perdi mais de um minuto nessa distração. 

Não há problema se marcarmos um ponto de outra categoria ou fora da sequência por engano, mas se pularmos um ponto é necessário ir ao ponto correto e voltar aos pontos seguintes, confirmando a passagem na sequência correta para completar o percurso.

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