18 de ago de 2012

Entrevista com Sérgio Gonçalves Brito

Veja no blogue Orientovar:

 

SÉRGIO BRITO: "ENSINAR É TUDO DE BOM!"




Sérgio Gonçalves Brito é, reconhecidamente, um dos maiores nomes da Orientação brasileira e um dos pioneiros da modalidade nesse enorme País. Ao Orientovar fala com emoção da forma como vive e sente a nossa modalidade.

14 de ago de 2012

Manual do Jovem Orientista - Dica nr 47

 Dica no 47: A Regra de Ouro de Orientação


A Regra de Ouro de Orientação, conforme artigo de Magnus Davidson, engloba vários aspectos já comentados e outros mais que vêm adiante. 

Todo mundo gostaria de ser um campeão. Mas o que é que faz um campeão ser um campeão? Eles ganham o tempo todo! Qualquer orientista pode ter uma boa corrida e vencer de vez em quando, mas campeões fazem isso o tempo todo.

“Caras de sorte!” Ah, mas isso não é sorte. "Então, qual é o segredo?" 

Bem, alguém já perguntou a Nikki Lauda, piloto de Fórmula 1: "O que é que faz um campeão ser um campeão?" Ele respondeu: "A capacidade de ganhar indo tão devagar quanto possível". 

“Mas isso é estúpido! Campeões são os que supostamente vão mais rápido!” Rápido sim, mas apenas rápido o suficiente para bater todos os outros. Puxando no limite corremos sempre o risco de correr acima do limite, de modo que as coisas dão errado. As coisas não dão errado para os campeões. 

“Bem, isso é tudo muito bom para o senhor Lauda, mas como tudo isso se relaciona com a orientação?” Bem, talvez devêssemos ouvir o que um campeão do mundo de orientação tem a dizer sobre o assunto. Oyvin Thon certa vez escreveu: "Cada orientista, num certo nível, pode encontrar o seu caminho através de um percurso sem cometer erros. Mas o problema é saber o quão rápido você tem que correr para vencer a corrida. Se você for rápido demais, você vai cometer erros. É muito difícil equilibrar a velocidade de corrida sem cometer erros". 

“Então você está dizendo que qualquer orientista mediano pode fazer um percurso sem cometer erros, se ele for devagar o suficiente?” É isso mesmo. “E quanto mais rápido for, maior o risco de cometer erros?” Exatamente. Para competir, você tem que ir rápido. O truque é encontrar a velocidade ideal, que está logo abaixo da velocidade em que você começa a cometer erros.

“Legal, mas a velocidade ideal do Sr. Campeão Mundial é muito mais rápida do que a minha! Como é que ele encontrou a sua velocidade ideal? Como posso encontrar minha velocidade ideal?” Ah, mas há uma simples regra de ouro ... 
Somente correr tão rápido quanto você pode ler o mapa.

“Isto soa bastante razoável, mas o que ‘ler o mapa’ realmente significa?” Bem, significa um monte de coisas. As três mais importantes são: ser capaz de relacionar os símbolos do mapa ao terreno rapidamente; decidir a quantidade de informação que você precisa para tirar do mapa para navegar de forma eficaz, e ser capaz de ler o mapa correndo.

Não estou pedindo muito, estou? A leitura do mapa é a habilidade básica da orientação. Todos os componentes acima podem ser melhorados através do treinamento. Se o fizer, irá aumentar sua velocidade de leitura do mapa e, assim, melhorar a sua velocidade ideal e sua orientação.

“Então, quão rápido eu preciso ler o mapa?” Bem, você precisa ler o mapa de forma que, em qualquer ponto do percurso, você saiba onde você está e saiba onde você está indo. 

“Bem, o primeiro é bastante óbvio - se não soubesse onde estava, eu estaria perdido!” Exatamente. Manter-se em contato com o mapa é muito importante. É onde se aplicam todas as habilidades de navegação que você já ouviu falar. Coisas como uso da bússola, a contagem de passos, e interpretação do relevo. Estas são habilidades que só podem ser aprendidas através da prática na floresta. Mas há vários livros e manuais de treinamento que descrevem as várias habilidades e como melhorá-los.

“Então, sobre saber onde você está indo, seria a escolha de rota?”
Bom, em parte. Você deve fazer a leitura do mapa à frente de onde você está. Isso ajuda a evitar perda de tempo nos pontos de controle, quando você sabe onde você está indo imediatamente após picotar. Ele também dá um alerta antecipado de objetos como encostas íngremes ou áreas complexas, que exigem esforços extras físicos ou mentais. Você pode, então, preparar-se antes de encontrá-los.

“Espera aí! Estou tentando encontrar meu caminho em uma perna, e você quer que eu olhe para todo o percurso!”
Não. Eu não estou sugerindo de você sobrecarregar-se com a leitura do mapa. Alguns orientistas podem gostar de planejar o percurso inteiro de uma só vez. Mas planejar uma de escolha rota básica para a próxima etapa provavelmente é suficiente. 

“Então, como posso praticar escolha de rota?”
A boa notícia aqui é que você pode fazer bem no conforto de sua poltrona favorita. Além de alguns livros sobre o assunto, é muito útil olhar os mapas de percursos anteriores e se perguntar "o que aconteceria se eu tivesse ido dessa maneira?".

“Isto pode parecer fácil. Mas eu não posso ser orientista na minha poltrona!” Claro que fazer escolhas de rota na corrida é uma questão bem diferente. Mas obtenha informações sobre a forma como você está fazendo, conversando com os outros sobre seus percursos e comparando tempos parciais.
Então é preciso fazer leitura do mapa à frente e praticar escolha de rota. E ler as descrições dos pontos de controle. 

“Ah! Eu sempre faço isso.” Bom para você. É incrível como muitas pessoas não o fazem. Pelo menos, não até que eles chegam ao ponto de controle.

“O que há de errado com isso?” Você ficaria surpreso quanto tempo pode ser perdido por não saber exatamente para onde ir quando você chega ao local do ponto de controle. Os segundos desperdiçados em hesitar, ou fazer coisas como correr para o topo de uma colina quando o prisma está na parte inferior, pode adicionar até alguns minutos para um percurso com 20 pontos de controle.

“Mas como posso encontrar a minha velocidade ideal?”
Bem, você deve começar indo mais devagar. 

“Mais devagar? Você está louco?” Não, eu estou falando sério. Diminua a velocidade e pratique suas habilidades de leitura de mapa até que você complete os percursos sem cometer erros graves. Se você cometer erros nos percursos, você estará treinando a si mesmo para cometer erros. Se você não comete erros, você estará treinando para não cometer erros. Tente desenvolver um ritmo de bater nos pontos de controle de primeira vez. Depois, aos poucos, acelere. Se você começar a cometer erros, então desacelere, trabalhe para melhorar a leitura de mapas, e tente acelerar novamente.

“Suponha que eu possa correr à toda velocidade e não cometer erros.” Então você tem muita sorte mesmo! Obviamente, você precisa melhorar sua velocidade de corrida através de treinamento físico. Mas não se esqueça de também trabalhar em sua leitura do mapa, caso contrário, você poderia começar a correr além de sua velocidade ideal.

“Eu acho que peguei a ideia agora. É um pouco complicado, no entanto.” Não precisa ser, basta lembrar a Regra de Ouro - só ir tão rápido quanto você pode ler o mapa. Sua velocidade ideal vai variar de mapa para mapa, de uma perna para outra, e até na mesma perna. 

Lembre-se dos 'semáforos': 


Verde: você pode ir mais rápido no início de uma perna, porque você só precisa ler uma pequena quantidade de informação a partir do mapa para navegação rudimentar. 



Amarelo: perto do ponto, você tem que ler muito mais informação e tem de desacelerar. 



Vermelho: do ponto de ataque para o ponto de controle, a corrida será muito mais lenta, andando se preciso for, e usando as técnicas mais adequadas. 


Tudo se resume a apenas ir tão rápido quanto você pode ler o mapa.

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Manual do Jovem Orientista - Dica nr 25

Dica no 25: Beba bastante água antes, durante e depois da atividade física.
Água é o principal elemento de nosso corpo, sendo indispensável sua reposição após a atividade física. Mesmo em clima frio, os organizadores de eventos são obrigados a colocar postos de água no meio do percurso. Se o tempo estimado para o primeiro colocado é de mais de 45 minutos, serão colocados pontos de água a cada 20 minutos da velocidade calculada para o vencedor. Em condições climáticas desfavoráveis, poderá ser oferecida uma solução isotônica. No ponto de água, será oferecida água pura na temperatura satisfatória como refresco. Todo refresco, diferente de água pura, terá que ser identificado claramente.  Os pontos de água  poderão ser colocados nos pontos de controle ou  nas prováveis rotas, e devem estar precisamente locados no mapa. 

Já ocorreu em um evento que o organizador não quis colocar posto d’água porque tinha conseguido aqueles copos plásticos fechados e queria evitar que os orientistas levassem os copos para a floresta. A solução nestes casos é simples: deixar os copos fechados na chegada e colocar nos postos d’água galões e copos descartáveis comuns, com uma pessoa da organização enchendo os copos e cuidando da reposição da água do galão quando necessário. Com os copos comuns, os orientistas vão tomar a água no mesmo local, ficando fácil o recolhimento dos copos que ficarem pelo chão. Se a organização dispõe apenas dos copos d’água fechados, pode ainda colocar uma pessoa abrindo os copos e colocando-os sobre uma mesa, para os orientistas tomarem água ali, sem levar os copos adiante. 

Após a atividade é importante bebermos bastante água para repor nossa perda líquida, que pode chegar a um litro a cada hora de corrida, até mesmo em clima frio. Em treinamentos longos, é importante levar água para tomar durante a atividade, repondo parte da perda líquida. Ao fazer trabalho intervalado na pista de atletismo, ou nas áreas de orientação, é interessante levar uma garrafa com água para beber nos intervalos, principalmente quando a quantidade de tiros é maior que dez e o intervalo é curto. Bebendo água, a sensação de cansaço é amenizada e temos mais disposição para realizarmos uma maior quantidade de tiros. 


Beber bastante água pode evitar problemas renais sérios, de uma maneira bem simples e com baixo custo. O uso de isotônicos e repositores energéticos durante e logo depois da atividade podem auxiliar na reposição hídrica e mineral, mas não dispensam o consumo de água no restante do dia. Após uma atividade de longa duração devemos beber água suficiente para repor as perdas até o final do dia.

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