7 de mar. de 2014

Manual do Orientista - Dica nr 34

Dica no 34: As mulheres devem executar um treinamento diferenciado.

O treinamento físico feminino é diferente do masculino, tanto na intensidade quanto no volume. Os fundamentos utilizados são os mesmos, mas a individualidade biológica é um fator importante a ser considerado, embora as mulheres tenham a mesma disposição para o treinamento que os homens. Eu já treinei com algumas corredoras de fundo, como Márcia Narloch, ouro na maratona dos Jogos Panamericanos de 2003 e prata em 2007, que tinha um condicionamento físico excelente, que foi adquirido após anos de treinamento específico, sempre fazendo um treinamento adequado ao período em que estava dentro da temporada. Eu só superava o desempenho dela no período em que tinha tempo integral para treinar. Quando tinha apenas meio-período para treinamento, conseguia apenas igualar o desempenho. Se o treinamento não estivesse adequado, eu ficava para trás. Nos treinamentos intervalados eu conseguia acompanhar bem  a intensidade dos tiros, mas sofria para recuperar com intervalo curto. 

Na orientação o treinamento técnico deve ser o mesmo dos homens, inclusive, em muitos eventos nacionais, elas executam o mesmo tipo de percurso de algumas categorias masculinas. Mas esses percursos devem estar adequados ao condicionamento físico e técnico da categoria feminina a que está sendo aplicado. Um percurso bem traçado é aquele em que as primeiras mulheres façam tempo semelhante ao dos primeiros homens, para categorias de idade e grau de dificuldade semelhantes. As mulheres devem fazer percursos adequados à condição física em que estão naquela temporada. No aprendizado, as técnicas ensinadas são as mesmas, a diferença deve ser apenas na distância dos percursos.  


Na Força Aérea, a participação feminina na orientação começou em 1996, quando as primeiras mulheres foram para a Academia da Força Aérea (AFA). Em 1997 eu preparei um mapa para a NAVAMAER e ajudei a montar uma competição interna com a participação feminina. Nossas melhores atletas, Lislaine Link e Ana Paula Littig, que foram campeãs brasileiras, começaram a orientação na AFA em 1998. Aprenderam orientação treinando junto com os homens, geralmente nos mesmos percursos, normalmente chegando depois dos primeiros, mas na frente de vários homens do clube de orientação. No treinamento físico elas corriam juntas. Participaram das provas do Campeonato Paulista e do Campeonato Brasileiro da CBO, estando sempre entre as primeiras da categoria feminina. Em 1999 elas participaram como atletas reservas da equipe da AFA na NAVAMAER realizada em Resende-RJ pela AMAN, completando os mesmos percursos dos demais cadetes. 

Eles competiram em mapa e percursos que eu preparei, a convite do Capitão Gilvan Alves Flores, que era instrutor e técnico da equipe da AMAN. A partir de 2000 a CDMB colocou a categoria feminina em seu Campeonato, graças aos insistentes pedidos da então Tenente Carla Clausi, do Exército. Em 2001 nossas cadetes puderam participar, onde Lislaine venceu a competição e Litig foi a segunda colocada. Lislaine foi campeã quatro vezes no Campeonato das Forças Armadas (CAMORFA), de 2001 a 2008, e venceu três vezes o Campeonato Brasileiro da CBO (CAMBOR), na categoria Elite feminina. A Littig foi campeã em 2002 e 2004 no CAMORFA.



Depois disso, outras atletas passaram a se destacar por uma melhor capacidade de corrida, além da boa qualidade técnica, como Wilma Barbosa de Souza (que aparece na foto da capa desta edição), também da FAB, que foi a campeã do CAMBOR de 2006 e Sul-Americano de 2009, e Juliana Dummel, do Exército, campeã do CAMORFA e CAMBOR de 2007. Isto aumentou mais a disputa no segmento feminino, incentivando a melhora no condicionamento físico, que não estava tanto em evidência como ocorre entre os homens. 

Para os V Jogos Mundiais Militares, realizados no Rio de Janeiro em 2011, foram convocadas pela Marinha as melhores atletas da Elite que ainda não eram militares. Com esse reforço, foi da equipe feminina a primeira medalha do Brasil no Campeonato Mundial Militar de Orientação, com o 3º lugar na prova de revezamento dos V Jogos Mundiais Militares. Foi uma disputa emocionante, depois de receber na 5a posição, Wilma passou na 4a posição no ponto de espectadores, e ao final da última perna finalmente surgiu após a 2a colocada. 


Houve uma grande comemoração com a conquista dessa medalha de bronze, com toda delegação brasileira e o público presente. Foi impossível para a locutora do evento, Carla Clausi, conter a emoção ao ver uma equipe feminina brasileira ganhando a primeira medalha no Mundial do CISM, sendo ela uma das precursoras da participação feminina nos Campeonatos Brasileiros das Forças Armadas. Momentos depois da grande comemoração inicial, a Sargento Wilma veio abraçar a Major Carla, e emocionada agradeceu por esta ter aberto a porta para a participação feminina na orientação das Forças Armadas, dando exemplo e incentivando esta conquista dessa nova geração. 

5 de mar. de 2014

Manual do Orientista - Dica nr 33

Dica nº 33: As crianças merecem atenção especial.


A idade recomendada para execução de percursos de orientação para crianças é a partir de 8 anos de idade. Mas podemos começar a ensinar as técnicas básicas antes disso, de preferência sendo acompanhadas por um adulto. As crianças podem aprender a manusear um mapa de orientação antes mesmo de aprender a ler, pois o mapa é baseado em outros símbolos gráficos. 

O aprendizado deve ser progressivo, iniciando com mapas mais simples, em áreas conhecidas, passando para mapas mais detalhados aos poucos, até chegarmos a mapas de áreas novas, onde são realizadas as competições. Para deixarmos crianças executarem percursos sozinhas, é necessário que tenham aprendido o básico e já possuam autoconfiança. A dificuldade de percurso deve ser adequada ao nível técnico delas. Alguns organizadores superestimam o nível de dificuldade, traçando percursos muito difíceis, podendo desestimular os iniciantes. O nível de dificuldade deve seguir as recomendações da CBO, sempre com a visão de tornar a orientação um esporte interessante e sem riscos de acidentes ou ferimentos graves. Não é interessante que as crianças levem muito mais que uma hora na realização de um percurso qualquer. As dificuldades vão aumentando com o aprendizado, à medida que atingem idade maior e há mudança de categoria.  

A CBO recomenda que todos os iniciantes façam um curso de iniciação esportiva, com o objetivo adaptar o indivíduo ao meio natural, desenvolver a habilidade de usar corretamente a bússola, controlar a distância percorrida e desenvolver o senso de orientação, requerendo para isto um instrutor capacitado. A primeira fase da iniciação esportiva é a instrução mínima que um atleta deve realizar para ser filiado na CBO, tendo adquirindo o conhecimento básico para a prática do esporte, estando apto a participar individualmente de uma competição de orientação.

Para completar esses passos é importante o envolvimento com um clube de orientação que proporcione a instrução adequada e completa, capacitando o novo orientista para a realização dos percursos conforme sua idade e categoria.


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4 de mar. de 2014

Portugal O' Meeting 2014

Thierry Gueorgiou e Simone Niggli os grandes vencedores


Com a participação de mais de 1600 atletas, chegou ao fim o Portugal O' Meeting 2014. Na única etapa de Distância Longa desta edição, Thierry Gueorgiou e Simone Niggli foram os primeiros a partir... e a chegar!

Está dada por concluída a 19ª edição do Portugal O' Meeting, a mais importante prova do calendário regular nacional de Orientação Pedestre. A organização – a cargo do CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida e da Câmara Municipal de Gouveia – reservou para este último dia uma etapa de Distância Longa, revisitando alguns dos mais emblemáticos pontos dos dias anteriores, numa mescla perfeita de complexidade técnica e exigência física.

As partidas em sistema de 'chasing start' apresentavam à partida vantagens confortáveis para os líderes dos escalões de Super Elite Masculina e Elite Feminina, respetivamente Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) e Simone Niggli (OK Tisaren), de tal forma que só um cataclismo poderia ditar uma reviravolta na classificação final. E se é verdade que os cataclismos acontecem – que o diga a própria Simone Niggli, apenas 8ª classificada na etapa anterior -, isso não sucedeu na etapa de hoje e ambos os atletas foram mesmo os mais rápidos, ampliando as suas vantagens ante a concorrência.

Na Super Elite masculina, Thierry Gueorgiou foi o único atleta a baixar da uma hora e vinte de prova, cumprindo os 13,9 km do seu percurso em 1:19:47. A segunda posição coube ao suiço Andreas Rüedlinger (Leksands OK), com mais 2:21, enquanto o terceiro lugar foi para o checo Jan Petrzela (OK Kare), com um registo de 1:22:12. Com os resultados apurados na derradeira etapa, Thierry Gueorgiou confirmou a liderança e venceu o Portugal O' Meeting pela quarta vez (terceira consecutiva). Mas foi possível assistir a verdadeiras “cambalhotas” na classificação, da sensacional subida de Andreas Rüedlinger do 17º lugar para o 6º no final, ao “trambolhão” do sueco Oskar Sjöberg (OK Linné), da 4ª posição para um lugar fora do top-10.

Oitavo classificado na etapa inaugural, Jan Prochazka foi subindo paulatinamente na classificação até alcançar o segundo lugar no final. Algo que o atleta comenta desta forma: “Fiquei surpreendido com meu resultado no final da primeira etapa, mas penso que os jovens Suecos começaram muito fortes e fizeram um bom trabalho. Não estive nos primeiros lugares desde o início, mas após as duas etapas de Distância Média penso que consegui o segundo lugar por uma margem tranquila e acreditei que seria possível guardar essa vantagem.”

Na prova feminina, Simone Niggli (OK Tisaren) esteve de novo em grande plano, fazendo uma grande prova no tempo de 1:14:46 para 10,5 km de prova. A sueca Annika Billstam (OK Linné) viria a conseguir o segundo melhor tempo, gastando mais um minuto e meio que a vencedora, enquanto a terceira posição na etapa coube à finlandesa Riina Kuuselo (Tampereen Pyrintö), redimindo-se aqui das prestações menos conseguidas nas etapas anteriores e terminando a 2:11 da vencedora. No cômputo geral das quatro etapas, Simone Niggli foi a grande vencedora, o que sucede pela quinta vez consecutiva e pela sexta vez em termos gerais (a atleta venceu o seu primeiro POM no início da sua brilhante carreira, em 2002).

Vencedora da etapa pontuável para o ranking mundial disputada ontem, Maria Magnusson (Sävedalens AIK) soube segurar a segunda posição, concluindo no final a pouco mais de dez minutos da vencedora. Campeã do Mundo junior de Distância Longa e Vice-Campeã do Mundo de Distância Média em título, a muito jovem sueca Lisa Risby (OK Kare) merece igualmente o título de estrela deste Portugal O' Meeting, ao subir cinco lugares na etapa derradeira, quedando-se num honroso terceiro lugar. 



Resultados Finais

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 3:16:26
2. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 3:33:26 (+17:00)
3. Hannu Airila (Kalevan Rasti) 3:35:31 (+19:05)
4. Olli-Markus Taivanen (Pellon Ponsi) 3:39:45 (+23:19)
5. Jakob Lööf (MOKS) 3:41:14 (+24:48)
6. Andreas Rüedlinger (Leksands OK) 3:41:36 (+25:10)
7. Jan Petrzela (OK Kare) 3:41:54 (+25:28)
8. Andreu Blanes (Colivenc) 3:42:59 (+26:33)
9. Rassmus Andersson (OK Linné) 3:43:44 (+27:18)
10. Lauri Sild (Hiidenkiertäjät) 3:48:58 (+32:32)

Damas Elite
1. Simone Niggli (OK Tisaren) 3:25:58
2. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) 3:36:15 (+10:17)
3. Lisa Risby (OK Kare) 3:43:45 (+17:47)
4. Annika Billstam (OK Linné) 3:43:55 (+17:57)
5. Karoliina Sundberg (Lynx) 3:43:57 (+17:59)
6. Ulrika Uotila (Koovee) 3:44:12 (+18:14)
7. Outi Ojanen (Kangasala SK) 3:44:17 (+18:19)
8. Riina Kuuselo (Tampereen Pyrintö) 3:44:36 (+18:38)
9. Kristin Lofgren (Varegg) 3:51:57 (+25:59)
10. Anna Nähri (IFK Göteborg) 3:54:48 (+28:50)


Tudo para conferir em http://www.pom.pt/pt/

3 de mar. de 2014

Portugal O-Meeting 2014

POM 2014: Thierry Gueorgiou e Simone Niggli entram com o pé direito


Começa a não ser fácil encontrar um título para as provas de orientação de nível internacional em Portugal que não inclua os nomes de Thierry Gueorgiou e Simone Niggli. Tem sido assim nos anos mais recentes, foi assim igualmente no fim de semana passado e a história volta a repetir-se na etapa inaugural do Portugal O' Meeting 2014. Num terreno muito técnico, os dois atletas souberam melhor que ninguém pôr em campo as suas enormes qualidades, demonstrando uma vez mais o porquê de serem os líderes do ranking mundial.


Tierry segue com larga vantagem na liderança do evento. Apesar de ter errado muito no início do percurso 3, Simone Niggli segue na liderança da disputa feminina, as outras competidoras também tiveram dificuldades em algum percurso. O dia ruim de Maria Magnusson foi o primeiro, com 10 minutos de diferença para Simone. 

Resultados Dia 1

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 45:58
2. Oskar Sjöberg (OK Linné) 49:15 (+3:17)
3. Erik Ivarsson Sandberg (IFK Lidingö) 50:14 (+4:16)
4. Albin Ridefelt (OK Linné) 50:27 (+4:29)
5. Lauri Sild (Hiidenkiertäjät) 50:42 (+4:44)

Damas Elite
1. Simone Niggli (OK Tisaren) 49:29
2. Annica Gustafsson (IFK Lidingö) 50:44 (+1:15)
3. Annika Billstam (OK Linné) 50:46 (+1:17)
4. Helena Karlsson (IFK Lidingö) 52:49 (+3:20)
5. Kristin Lofgren (Varegg) 53:38 (+4:09)

Resultados Dia 2

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 35:55 
2. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 38:20 (+2:25)
3. Andreu Blanes (CEColivenc) 38:58 (+3:03)
4. Hannu Airila (Kalevan Rasti) 39:23 (+3:28)
5. Antonio Martínez Pérez (CEColivenc) 40:23 (+4:28)

Damas Elite
1. Simone Niggli (OK Tisaren) 40:19 
2. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) 42:32 (+2:11)
3. Outi Ojanen (Kangasala SK) 42:56 (+2:37)
4. Henna-Riikka Haikonen (AnttU) 43:16 (+2:57)
5. Emily Kemp (PFU) 43:38 (+3:19)


Resultados Dia 3

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 34:46 
2. Albin Ridefelt (OK Linné) 36:25 (+1:39)
3. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 37:28 (+2:42)
4. Hannu Airila (Kalevan Rasti) 38:15 (+3:29)
5. Oskar Sjöberg (OK Linné) 38:17 (+3:31)

Damas Elite
1. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) 34:50 
2. Annica Gustafsson (IFK Lidingö) 38:38 (+3:48)
3. Helena Karlsson (IFK Lidingö) 39:09 (+4:19)
4. Marttiina Joensuu (SK Pohjantähti) 39:56 (+5:06) 
5. Jannina Gustafsson (SK Uusi) 40:08 (+5:18)
8. Simone Niggli (OK Tisaren) 41:24 (+6:34)


Manual do Orientista - Dica nr 32

Dica no 32: Registre as competições e treinamentos realizados. 


O principal troféu do orientista é o mapa de cada prova. Além de traçarmos nosso itinerário, é interessante guardarmos em pastas, anotando a data, tempo realizado e o tempo do vencedor. Tenho muitos mapas com o itinerário marcado, mas não separei em pastas e agora tenho uma caixa grande cheia de mapas, muitos sem as informações básicas de realização. Tenho em minha memória várias informações sobre aqueles percursos, mas ficaria muito melhor se tivesse organizado desde o início. Vários colegas têm feito pastas para guardar desde os primeiros mapas, e assim ficam muito bem organizados e disponíveis com maior facilidade de consulta. 


Além da organização dos mapas é interessante anotarmos numa planilha as competições e treinamentos realizados, colocando os dados de local, tipo de percurso, quantidade de pontos, distância, tempo realizado e colocação. Eu fazia isto quando anotava meus dados de treinamento em diário. Os diários são interessantes para ver o resultado do treinamento progressivo. Parei de anotar no início da década de 90, depois de ter realizado mais de 300 percursos. É bem provável que tenha atingido a marca de 1.000 percursos realizados, contando os treinamentos, mas não sei quando isso ocorreu. 

É interessante registrarmos também os resultados de outros tipos de competições, como de corrida de rua ou em pista de atletismo. Os registros dos tempos em corridas com distância aferida são importantes para avaliarmos o desenvolvimento ao longo de cada temporada e de uma temporada para outra.


Uma alternativa é guardar as informações num computador, gravando em mídia após certo tempo. Podemos usar os recursos de arquivamento no computador, digitalizando os mapas com as rotas traçadas e anotando os resultados em tabelas, além de incluir as fotos de cada evento.

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2 de mar. de 2014

Veja no ORIENTOVAR

ATLETA DO MÊS: ANDREU BLANES, UM ESPANHOL NA ALTA RODA


Estou com os meus companheiros. Treinámos durante a manhã e acabámos de comer. Agora é tempo de pausa à espera do treino da tarde que irá ser num terreno de bosque muito fechado e com detalhe rochoso, tal como no WOC 2011. Será uma partida em massa, seguramente. Enquanto aguardamos e descansamos, jogamos às cartas. Tenho uma mão cheia de cartas boas. Esta rodada é minha!” Um exercício simples, um apelo à imaginação e uma resposta que diz muito daquilo que é o atual líder do novíssimo Ranking Mundial de Sprint. 
Falamos de Andreu Blanes Reig, espanhol de Onil, Alicante, onde nasceu há 22 anos atrás. Um atleta que respira Orientação por todos os poros e cujo pensamento na vitória é uma constante. Mesmo em momento de pausa. Mesmo num jogo de azar!

Nome: Andreu Blanes Reig
País: Espanha
Disciplina: Orientação Pedestre
Pontos altos: 31º lugar na Distância Média (WOC 2013, Vuokatti), 24º lugar no Sprint (WOC 2012, Lausanne), 14º lugar na Estafeta (WOC 2013, Vuokatti), Vice Campeão do Mundo Júnior de Sprint (JWOC 2011, Rumia-Wejherowo)
Posição no Ranking Mundial: 64º (em 31/12/2013)
Posição no Ranking Mundial de Sprint: 1º (provisório)


1 de mar. de 2014

Manual do Orientista - Dica nr 31

Dica no 31: Verifique sempre o código do ponto de controle.


É comum em algumas competições haver pontos de controle próximos de outros. Geralmente as características são diferentes, mas para tirar a dúvida é importante conferir o número de código do ponto. Isto evita possível desclassificação ou mais perda de tempo. Ganhamos tempo quando verificamos as características do ponto de controle, principalmente quando há a informação sobre o lado em que está o prisma; e a informação seguinte que verificamos é justamente o número de código que vamos conferir. 

Em um percurso longo com troca de mapas, perdi a concentração no início da prova, errei o ponto de ataque para o primeiro ponto e achei um ponto próximo, que marquei sem conferir o código. Segui em frente, marquei mais 4 pontos e fiz a troca de mapa. Quando peguei o segundo mapa, meu ponto seguinte era na mesma região do ponto 1 do mapa anterior. Chegando lá notei que tinha marcado aquele mesmo ponto no início, embora o ponto do mapa anterior tivesse outra descrição. Fiquei chateado com o erro, mas não desisti do percurso por causa dele. Estava sendo usado um sistema de picote eletrônico, e para não ser desclassificado, corrigindo o erro, achei o meu primeiro ponto correto, que estava próximo, passei novamente nos quatro pontos seguintes e outra vez pela área de troca de mapas para cumprir a sequência correta, para depois continuar o percurso do segundo mapa; cerca de 12 minutos de perda de tempo, fora o desgaste físico. Muitos ficaram surpresos pela situação, mas a apuração validou minha correção e não fui desclassificado. Mesmo com esse erro fiz o sétimo tempo do percurso e fui o melhor de minha equipe, pois os demais tiveram outros problemas e fizeram tempo mais alto. Todo transtorno seria evitado se tivesse conferido o código do ponto de controle e verificado o erro no início. Em provas de revezamento também é muito importante termos o cuidado de conferir todos os códigos, pois além de ser desclassificado, o atleta que erra tira a sua equipe da competição e da possibilidade de ganhar medalha. Pior é quando não se percebe o erro em tempo de corrigir, pois é muito mais frustrante a desclassificação depois de ter finalizado o percurso. 

Outro erro comum que pode ocorrer em qualquer percurso, é o de posicionarmos a bússola um ponto adiante do que estamos. Este erro é mais comum em área “branca”, onde demoramos mais para identificar as diferenças do mapa com o terreno. No percurso médio do Campeonato Mundial na Holanda, após marcar o ponto 5, eu posicionei a bússola do ponto 6 para o 7. Foi a primeira vez que isto aconteceu comigo, já com 20 anos de prática. A diferença de azimute não era muito grande, cerca de 30 graus, mas quando cheguei na distância prevista, os detalhes do mapa não estavam batendo, então percebi o erro: eu tinha que ir para o ponto 6 e o mapa estava dobrado para o ponto 7. Posicionei a bússola na direção real que tinha seguido, medi a distância que tinha percorrido e dali mesmo fui para o ponto correto, após identificar um novo ponto de ataque, mas perdi mais de um minuto nessa distração. 

Não há problema se marcarmos um ponto de outra categoria ou fora da sequência por engano, mas se pularmos um ponto é necessário ir ao ponto correto e voltar aos pontos seguintes, confirmando a passagem na sequência correta para completar o percurso.

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