8 de set. de 2021

Manual do Jovem Orientista - Dica nr 54

 Dica nº 54: Sistema de Concentração. 

O Sistema de Concentração é uma prática constante desde a área de partida, quando focamos nosso raciocínio nas tarefas relativas ao percurso. Mas podemos perder um pouco a concentração durante o percurso, principalmente quando avistamos outros competidores. É muito comum em etapas do campeonato estadual ou nacional encontrarmos competidores de outras categorias próximos a nossos pontos de controle. Nesses momentos é importante mantermos a concentração em nossa navegação, pois pode haver pontos de outras categorias nas proximidades. Primeiro admita que parou de concentrar-se. Recupere o raciocínio, volte a focar o raciocínio em realizar o que está planejado em sua mente. Pense em uma dica: ‘mapa’, ‘sistema’ ou ‘objeto’. Execute um sistema de orientação, aquele que for mais necessário na posição em que houve a distração. Fique sempre atento para não perder a concentração ao encontrar outro competidor, se ele estiver na mesma rota, apenas observe o que está fazendo, continue executando o que planejou. Se o outro competidor seguir em outra direção, simplesmente ignore, ele pode ser de outra categoria ou tomou uma decisão errada. 


Mantenha a concentração principalmente ao final do percurso. Após o Campeonato Mundial na Suécia em 1991, fui assistir a uma competição nacional de ultra-longa distância, com partida em massa e troca de mapas, onde a última perna é comum. Ao final, o campeão Joakim Ingelsson chegou com certa folga. Um minuto depois, o locutor viu três atletas nas proximidades do último ponto e narrou o que estava acontecendo, Jörgen Martensson (campeão mundial da IOF naquele ano) estava à frente, mas eles erraram justamente por causa de desconcentração. A empolgação ao ouvir os alto-falantes do evento muitas vezes atrapalha a concentração. Johan Ivarsson, que naquela época treinava com Göran Ölund, não errou e passou os três no último ponto, terminando no tão disputado segundo lugar. 

Outra situação interessante aconteceu num treinamento da equipe da FAB e dos cadetes da AFA, numa área próxima a Curitiba. O técnico da CDA era Anderson Hoffmann, eu estava como técnico da equipe da AFA, mas ainda treinava e competia pela equipe da CDA, fazendo o percurso normal, enquanto os cadetes faziam um percurso um pouco menor. O Hoffmann havia colocado alguns prismas no dia anterior, e logo ao chegarmos à área de concentração, que também era o local de chegada, vimos um prisma pendurado em uma árvore próxima, a cerca de 100m do canto da floresta onde paramos. Após colocar os prismas que faltavam, o Hoffmann montou a ordem de partida, para que todos se preparassem,  a ordem de partida foi de acordo com o resultado do treinamento anterior: o Fioravanti foi o primeiro, eu segundo, o Silvio de Abreu terceiro, e assim por diante, com intervalo de 5 min; depois de partirmos ele tirou aquele prisma que vimos e colocou no local correto: em outra árvore que ficava 200m a oeste de onde estávamos, na mesma curva de nível

O percurso transcorreu normalmente, com o Fioravanti terminando cerca de 2min mais rápido que eu. Após chegarmos, podíamos ver os demais passando pelos três últimos pontos. O Sílvio apareceu com certa folga para bater o meu tempo, ao subir para o penúltimo ponto, mas na descida para o último ponto ele pegou uma direção mais à esquerda do previsto. Comentamos entre nós: “Será que ele vai direto para a árvore errada?” Foi exatamente o que fez: foi na direção da árvore onde havia um prisma antes da partida. Foi tão rápido que até escorregou e caiu sentado no chão ao chegar à árvore. Ficou atordoado ao não encontrar prisma algum, olhando a vegetação em volta, e olhando para nós, que já estávamos rolando de rir, mas logo voltou a analisar o mapa. Quando percebeu o erro, foi até a árvore correta, que ficava a 100m dali, e finalmente veio para a chegada, sem conseguir bater meu tempo. Depois de chegar ele contou que havia me visto a certa distância próxima e realmente estava tentando bater meu tempo, perdendo um pouco a concentração no mapa. Em treinamento, situações como esta rendem muitas gargalhadas, mas numa competição importante é muito frustrante para quem erra por falta de concentração. 

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