21 de fev de 2014

Manual do Jovem Orientista - Dica nr 29

Dica nº 29: O ato de picotar. 


Esta dica foi escrita por José Otávio Franco Dorneles, presidente da CBO, e disponibilizada em sua página da internet. Eu fui o exemplo citado por ele, de não conferir o picote e ter sido desclassificado mesmo havendo um fiscal que anotou a passagem e outro atleta picotando junto aquele ponto de controle. A distração depois de marcar o ponto, ao verificar se o picote estava correto, custou-me aquele percurso e a disputa do campeonato.

No esporte orientação alguns procedimentos fazem parte da filosofia da modalidade, como por exemplo, o uso da bússola tradicional em vez de instrumentos de alta precisão que, mesmo que a pessoa não tenha a habilidade de se orientar poderá saber sua exata posição a cada momento. Outra ação que faz parte da filosofia da orientação é o ato de picotar. 

A prática da orientação requer concentração para navegar até o controle, picotar e concentrar-se novamente na navegação e assim sucessivamente até picotar o último controle. Se não fosse assim, nas provas do Campeonato Mundial não seria necessário picotador, pois tem uma câmera de televisão filmando a passagem dos atletas pelos controles, mas pelo contrário, já foi observado que um atleta passou pelo controle e inseriu tão rápido que não deu tempo para o equipamento ler e, mesmo sendo filmado não foi classificado, pelo fato de não ter efetuado corretamente o ato de picotar.
Sempre foi assim, desde a época do picotador mecânico, se não picotar não terá classificação. Eu mesmo ganhei um Campeonato das Forças Armadas pelo fato de o único atleta que teve tempo para me superar esqueceu de picotar um ponto ou inseriu o cartão de picote por baixo do picotador e, mesmo tendo o controlador de ponto anotado seu tempo, não foi classificado por ter faltado o ato de picotar.

Hoje em dia muitos atletas não são classificados com o uso do equipamento eletrônico por faltar o tempo de um ponto de controle e normalmente o erro é humano ao não realizar completamente o ato de picotar. É possível uma falha no equipamento, mas é remota, tendo em vista que a base eletrônica teria que falhar em outras oportunidades, fato que justificaria a falha do atleta ou o SICard danificado o que acusaria na base de checar e falharia também em outras bases, justificando também o não registro do tempo.

Não adianta a pessoa que falta um picote trazer vários atletas como testemunha, tempo anotado por outra pessoa, imagem da filmadora provando que passou pelo ponto de controle, o testemunho de toda a assistência no último controle, se não tem o picote não será classificado, pois lhe falta o ato de desligar da concentração na navegação para picotar e retomar a navegação novamente. A perda da concentração aliada à falta de treinamento da seguinte sequência do ato de picotar é a causa principal da falta do tempo de um controle:

1º. Ao identificar o objeto do controle o atleta deve verificar a descrição do controle;
2º Escolher a rota para o próximo controle;
3º Posicionara a bússola para o próximo controle;
4º Verificar número código do controle;
5º Conferir o número que está na base ou placa do ponto de controle;
6º Conferir o picote (consumar o ato de picotar);
7º Conferir a bússola e o próximo ponto de checagem.


É sabido que todos conhecem esta sequência, mas por falta de treinamento adequado não esta no sistema autônomo da maioria dos competidores que, a qualquer momento de perda da contração podem cometer o erro de não picotar. Há evidência de que pessoas vítimas de estresse e outros problemas psicológicos estão mais suscetíveis ao desencadeamento de uma ação que leva a perda da concentração e posteriormente ao erro.

Quando falhar o equipamento o atleta pode picotar no próprio mapa em local apropriado, mas isto não é o suficiente para validar o picote, sendo necessário a análise dos tempos e velocidade média das outras pernadas para comprovar que o competidor não se valeu deste recurso para fazer o percurso fora da sequência prevista no mapa.
A perda do cartão de picote é uma falha que está mais relacionada a falta de ação do técnico, que não preparou corretamente o equipamento na mão do seu pupilo para enfrentar o enorme desafio de fazer um percurso individualmente.

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