20 de mar de 2011

Manual do Jovem Orientista





INTRODUÇÃO



O objetivo deste livro é disponibilizar parte do conhecimento técnico já difundido pelas federações internacionais, adaptando aquilo que vem sendo aplicado nos treinamentos aqui no Brasil. Procuro compartilhar o conhecimento que adquiri ao longo de mais de 25 anos como orientista.

Desde o primeiro contato com a orientação, percebi que era um esporte interessante para mim e sonhei com a possibilidade de um dia estar entre os melhores e representar o Brasil em competições na Europa. Desde então, passei a me dedicar em aprender as técnicas e desenvolver a capacidade de corrida para competição de alto nível.

Com esses objetivos em mente, além de ser um atleta de destaque, também trabalhei para o desenvolvimento do esporte. No início de minha carreira de atleta tive o apoio de orientistas experientes, que ensinaram as técnicas básicas, e de técnicos de atletismo que ensinaram a usar um programa de treinamento de corrida, mas as oportunidades de competição eram poucas. Foi quando passei a trabalhar na organização de provas abertas ao público alvo da orientação, várias delas com mais de 200 participantes. Minha principal satisfação pessoal foi a de presenciar cada vez mais orientistas satisfeitos com os mapas e percursos que preparei.

Recentemente, tenho aprendido bastante ao ensinar jovens que estão iniciando no esporte. Senti a necessidade de livros para os novatos na orientação, o que me motivou a preparar um manual mostrando aos jovens orientistas algumas técnicas interessantes que podem ser utilizadas no treinamento individual.

Certo dia, enquanto preparava um treinamento correndo, tive a ideia de escrever este livro em primeira pessoa, que possibilita a colocação de várias experiências pessoais, e de uma maneira informal – em forma de dicas.

As dicas estão numeradas para facilitar a leitura, mas não há necessidade de serem lidas na sequência dada. Quem quiser, pode ler em outra ordem, de acordo com o interesse – o índice está no final do livro. O manual está dividido em duas partes, a primeira voltada para os orientistas novatos. Cada dica é baseada no conhecimento que adquiri em experiências pessoais, de várias palestras e leitura de textos de diversos autores, com histórias interessantes que presenciei. Os orientistas encontrarão dicas interessantes, com relatos ocorridos durante meu aprendizado em treinamentos, em competições nacionais e internacionais. Há também citações de algumas regras essenciais para todos os orientistas.

Existe algum segredo para ser um campeão? Não. Bons resultados estão sempre associados a um bom condicionamento físico, técnico e mental. Basta dedicação para aprender e apreender as técnicas, desenvolvendo a capacidade de corrida para competição de alto nível. As dicas da segunda parte estão voltadas para aqueles que têm interesse em treinar mais e melhorar seus resultados nas competições, ações que podem tornar mais agradável a prática deste esporte fantástico.

Apesar de conter vários termos técnicos do esporte, a linguagem do livro é simples e direta.

Espero que gostem.

O livro também possui alguns anexos, citados ao longo dos textos, entre eles possui um glossário.

ANEXO B - GLOSSÁRIO

Termos diferentes usados pelos orientistas:

Árvore distinta: Árvore isolada ou totalmente distinta das demais à sua volta.

Atravancar: É o mesmo que derrubar o mato no peito, pegar uma rota ruim, orientar-se mal, perder muito tempo.

Azimute: Direção a seguir, indicada pela bússola a partir do ângulo entre a direção marcada no mapa e o norte magnético.

Bosque: Porção limitada de vegetação com árvores, com limites distintos, diferente de uma área de grande extensão com árvores semelhantes, que chamamos de floresta.

Buraco: Escavação natural ou feita pelo homem, com tamanho mínimo de 1m de profundidade e 2m de largura. O prisma deve ser colocado fora do buraco, evitando ficar escondido.

Carneiro: Figura mitológica entre os orientistas, que apesar de vista por muitos, não pode ser comprovada cientificamente. Representa aquele que vai atrás de outro orientista, mesmo não sabendo exatamente onde está indo (ato de encarneirar).

Chafurdar: É o mesmo que se perder durante o percurso.

Colo: Posição destacada entre duas elevações, distinta no mapa e no terreno, que lembra o colo materno.

Contra-azimute: Direção indicada pela bússola oposta à desejada, que leva o orientista para o ignoto.

Dar varada: errar um ponto, passando muito do mesmo, com a convicção de que está indo na direção certa.

Dog leg: Situação em que o acesso ao ponto de controle é o mesmo tanto para quem chega como para quem sai dele, geralmente por falta de criatividade do traçador de percursos.

Espigão: Figura do relevo que se apresenta como linha divisora de águas ou parte alta e alongada entre duas encostas.

Esporão: Pequena saliência no terreno, que se destaca do terreno em volta. A figura inversa do talvegue.

Ignoto: Posição no terreno completamente desconhecida para o orientista que saiu da rota sem perceber.

Objeto especial: Qualquer objeto feito pelo homem, que possa ser mapeado e usado como ponto de controle, mesmo aquele criado especialmente para um evento de orientação.

Orientista: Praticante do esporte orientação, geralmente com inteligência privilegiada, mas desprovido de apego à autoimagem, principalmente em ocasiões onde há muita lama no percurso.

Patrulha: Coletivo de orientistas quando estão próximos, na mesma rota e à procura dos mesmos pontos.

Penhasco: Acidente íngreme do relevo, uma face de pedra intransponível que deve ser evitada pelos orientistas, por questão de segurança.

Piau: Grito de guerra dos orientistas brasileiros, de origem desconhecida, utilizado para chamar os companheiros na floresta.

Ponto flutuante: Quando um ponto de controle não tem ponto de ataque nítido, nem linha de segurança, nem está num objeto distinto. Deve ser evitado pelo traçador porque a imprecisão pode prejudicar os atletas, devido ao fator sorte.

Prisma: Objeto com três faces nas cores branca e laranja, que deve estar em objeto distinto, previsto no mapa no centro da circunferência, e visível na posição indicada no cartão de descrição, satisfazendo a todas essas condições.

Ravina: Local por onde desce a água da chuva, formando uma vala profunda ou erosão.

Sinalética: Símbolos do cartão de descrição dos pontos de controle. Termo comumente utilizado em Portugal.

Talvegue: Pequena reentrância do terreno, geralmente nítida em relação ao terreno em volta.

Zerador: Atleta com menor tempo no percurso. Diz a lenda que nas primeiras seletivas militares do Brasil, para comparar os resultados de vários percursos, atribuía-se “zero” ao primeiro colocado e os demais recebiam pontuação de acordo com a diferença de tempo para o “zerador”.

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