Dica no 7: Pratique orientação sempre de maneira amigável.
O lema do CISM, Conselho Internacional do Desporto Militar, é: “Amizade Através do Esporte”. Esta é uma realidade na orientação e diversos outros esportes. Uma das recomendações mais importantes na orientação é o “fair play” (sem tradução literal para o português), que significa praticar o esporte respeitando os concorrentes, sem querer tirar vantagem por atos ilícitos, mesmo quando não tem ninguém vigiando, e vai muito além disso. É comum em eventos com várias categorias vermos iniciantes com dificuldades; quando solicitado, é comum ajudarmos mostrando no mapa onde se está, quando o novato está em dúvida. Apesar de ser proibido nas regras a ajuda técnica, deixar um iniciante perdido pode desmotivá-lo a continuar no esporte. Mas quem nunca ajudou algum novato perdido e acha que isto não é fair play, que atire a primeira pedra. Durante um treinamento podemos e devemos auxiliar os novatos, pois um dia fomos como eles. Isto é diferente da questão de ajuda técnica, que ocorre quando queremos favorecer um colega de equipe, dando dica de onde está o ponto de controle que já encontramos e ele não; em competição isto não é permitido, nem é correto.
Mesmo dentro de uma competição, quando encontramos adversários na rota, o clima de cordialidade continua; não é preciso abrir as cercas para o colega passar, mas evitamos ficar atrapalhando para marcar o ponto de controle quando chegamos juntos a ele. O novato geralmente deixa o atleta experiente marcar primeiro, pois este tem preocupação maior com o tempo do percurso, onde a perda de alguns segundos pode fazer diferença. A IOF recomenda as seguintes práticas antes do evento:
• Ler as informações no site do evento e utilizar apenas o boletim do evento para obter informações sobre os percursos de competição e o terreno.
• Estar familiarizado com as regras da orientação e, especificamente, com os símbolos no mapa, incluindo o que é proibido atravessar durante uma prova.
• Compreender obedecer às regras de área embargada.
• Treinar apenas em mapas de treinamento autorizados e em mapas modelo do evento para nos familiarizarmos com o terreno previsto para a competição em qualquer área sob embargo.
• Antes da partida, não tentar obter informações sobre a prova por nenhum meio, como consultar o rastreamento ou comunicar-se com atletas que já tenham concluído a prova.
Durante a prova, nós devemos:
• Usar ou levar apenas o mapa e as descrições dos pontos de controle fornecidos pela organização, além de uma bússola, para nos orientar durante a prova.
• Não atravessar objetos cuja travessia seja proibida de acordo com o mapa (mesmo que seja fisicamente possível), nem entrar em áreas proibidas.
• Correr nossa própria prova, sem cooperar com ou seguir ativamente outro competidor.
• Não ajudar outros competidores na prova, a menos que estejam feridos ou perdidos.
• Manter o máximo de silêncio possível no terreno.
• Seguir todas as rotas obrigatórias (delimitadas com fita/marcadas) até o ponto de partida, ao longo do percurso ou até a chegada.
• Não pedir ajuda a outros competidores ou pessoas de fora do evento, nem tentar pegar o mapa de outro atleta.
Depois de cruzar a linha de chegada:
• Permanecer fora do terreno de competição até que a prova esteja oficialmente encerrada.
• Não compartilhar nenhuma informação sobre a prova com nenhum atleta que ainda esteja competindo ou prestes a competir.
Outro exemplo marcante ocorreu prova de revezamento do Campeonato Mundial de Orientação de 2009 na Hungria. Já na última perna, Thierry Gueorgiou da França, Anders Nordberg da Noruega e Martin Johansson da Suécia estavam correndo juntos, disputando a liderança da prova, quando o sueco teve um ferimento grave: cravou um pedaço de madeira de12cm na sua perna. Seus concorrentes pararam para ajudá-lo. Thierry ficou com Martin pressionando sua camisa sobre o ferimento para estancar o sangramento, enquanto Norberg correu para a área de chegada para buscar ajuda. Michal Smola, da República Tcheca, foi o próximo atleta a passar pelo local e também parou para ajudar. A organização mandou ajuda e Martin Johansson foi levado para o hospital.
Depois do incidente, os três esportistas completaram o percurso e chegaram nas 25ª a 27ª posições. O Presidente da IOF, Åke Jacobson, expressou a gratidão aos três esportistas antes da cerimônia de premiação daquele dia: “O que vocês fizeram hoje é um grande exemplo de extrema esportividade e fair play. Vocês são uma inspiração para todos nós!”. Thierry, que ganhou o ouro no percurso médio e prata no percurso longo daquele campeonato, mesmo disputando mais uma medalha de ouro, não titubeou em parar para ajudar. Estes são os valores do verdadeiro campeão.
